Theon Massajoy: Crônicas da maior vergonha

Geral
NC-17
Finalizado
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88 páginas, 37.357 palavras, 28 capítulos
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Essa não foi a melhor piada da Massajoy

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Winterfell, para onde os Bolton se mudaram para consolidar definitivamente seu poder sobre o Norte, pairava uma atmosfera de crueldade monótona. A neve, misturada com fuligem e fumaça velha, jazia no pátio como um peso morto. Theon Massajoy, agora oficialmente portando o título de «Artista Degenerado», arrastava sua existência entre o canil e a cozinha, tentando não atrair a atenção para a ira de Ramsay. Certa manhã, enquanto rastejava por uma galeria aberta, Theon ouviu a voz de Cersei Lannister. Ela, como sempre, estava a par de todas as tendências modernas do Sul e de Essos. — Entende, Jaime, — dizia Cersei preguiçosamente, — em Porto Real agora há uma nova tendência entre a juventude dourada. Chama-se «prank». Você faz algo inesperado e assustador para que a pessoa dê um salto de pavor, e depois todos riem. É um sinal de inteligência e status elevado. Se você consegue assustar alguém até o soluço e sair ileso — você é o rei da festa! — Theon parou atrás de uma coluna. A palavra «prank» entrou em seu cérebro como uma flecha farpada. «Rei da festa… status elevado… assustar até o soluço…». Na cabeça do Artista Degenerado, as engrenagens começaram a girar, lubrificadas pelo medo e por um delírio selvagem. — Prank… — sussurrou ele, e suas sobrancelhas tremeram nervosamente. — Eu vou fazer um prank. Vou assustá-los de tal forma que o próprio Ramsay reconhecerá em mim um mestre do terror. — Mas o que poderia ser mais assustador do que tudo no mundo? Para Theon, a resposta era óbvia — URÂNIO. A gosma verde. E, claro, o seu condutor para este mundo — O CANO. Apesar de o simples aspecto de objetos cilíndricos causar em Theon crises de tremores incontroláveis e dores fantasmas no estômago «uraniano», ele se decidiu. Ele precisava encontrar o Cano. O cano mais terrível, o mais «radioativo» nas ruínas de Winterfell. Ele vasculhou os becos do castelo por três horas, estremecendo a cada ruído. Finalmente, em uma vala de escoamento semidestruída perto da antiga cripta, ele o viu. Theon Massajoy, o habitante do setor privado obcecado por pranks, viu naquele cano de esgoto esquecido uma fonte inesgotável para seus planos astutos. — Aha! — sussurrou ele, e em seus olhos brilhou uma faísca predatória. — Agora vamos nos divertir! — Na cabeça de Theon já se formava um plano: jogar o cano na casa de uma vizinha ranzinza e depois fingir ser um lutador pela justiça que «salva» a rua de suas ciladas. Ele agarrou o cano, imaginando como os «amigos» ficariam sufocados de tanto rir, e respirou fundo, preparando-se para emitir um grito de vitória. Mas, em vez do som de triunfo, das entranhas do cano saiu um suspiro pútrido e, então… «Vjjjjj!» No rosto de Theon foi cuspida com força uma nuvem de lama antiga e fétida. Os olhos foram instantaneamente bloqueados por uma gosma preta, a boca encheu-se de pó de madeira podre, que fez seus dentes sofrerem espasmos. Cuspidas e tentativas de enxergar algo à parte, Theon percebeu que, muito provavelmente, estava com uma aparência horrível. E então ele teve um estalo: era necessário enfiar a mão no cano para entender o que se escondia em suas profundezas e, talvez, até conseguir algum troféu para o futuro prank. A mão mergulhou na escuridão fedorenta e suja. Os dedos tocaram algo frio, afiado… Vidro! Estilhaços afiados, deixados provavelmente de uma garrafa quebrada, cravaram-se na pele. Mas aquilo era apenas o começo. No mesmo instante, nas feridas dos estilhaços, começaram a penetrar… Minhocas. Algumas minhocas minúsculas e frias, sentindo o ambiente fresco e úmido, começaram a abrir caminho metodicamente na carne de Theon. Ele tentou puxar a mão, mas ela ficou presa mortalmente na passagem estreita. E a partir daí… tudo deu errado. Nas feridas formadas pelos vidros, entraram centenas, milhares de minhocas. Elas se contorciam, moviam-se, inchando e aumentando de tamanho. O rosto de Theon contorceu-se de pavor e dor. Ele sentia como as minhocas subiam pelo braço, penetrando sob a pele, preenchendo cada veia, cada músculo. Sentia seus corpos viscosos, sua agitação asquerosa. E então ele percebeu que não conseguia nem sequer gritar. Em sua boca, nariz, olhos, vindos do pó expelido pelo cano, enfiaram-se minhocas. Ele tentou cuspi-las, mas em vão. A cada momento, elas se tornavam mais numerosas! O cano, como um monstro insaciável, devorava-o. As minhocas penetraram em todos os seus órgãos, elas o decompunham por dentro. O rosto de Theon transformou-se em uma massa de lama, vermes e sangue. Seu corpo inchou, rachou, cobriu-se de milhares de criaturas rastejantes e contorcidas. Os olhos de Theon turvaram-se. A última coisa que viu — como as minhocas saíam do cano, emergindo de seu corpo moribundo, e se espalhavam pelo pátio, antecipando novas vítimas. Na manhã seguinte o encontraram — uma cena pavorosa, lembrando mais um monte informe de minhocas e carne em decomposição do que um ser humano. Ao lado dele jazia o velho cano de esgoto, no qual, dizem os boatos, a sujeira ainda se mexe, esperando pelo próximo prankster. Ramsay Bolton parou no meio do pátio, observando com um êxtase e nojo indisfarçáveis o monte agitado de lama e minhocas que ainda pela manhã era seu animal de estimação favorito. Um sorriso lento e predatório espalhou-se por seu rosto ao perceber que o «Prankster Uraniano» conseguira transformar-se em um balde vivo de isca bem debaixo das janelas da Velha Nan. — Eu esperava uma piada, mas você superou todas as expectativas, Massajoy, agora você é oficialmente o pedaço de fertilizante mais vergonhoso na história do Norte! — berrou Ramsay, chutando com nojo com a ponta da bota a massa contorcida. Ele ordenou à guarda que não lavassem aquela cena, decidindo que a visão de Theon, tornado vítima de seu próprio prank, seria a melhor lição para todos os amantes de «descobertas interessantes» em Winterfell.
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