Theon e a Donzela Barbuda
14 de janeiro de 2026 22:02
Naquele dia Forte do Pavor parou à espera de uma convidada importante. De Winterfell, por incumbência de Sansa, que ainda tentava conduzir negociações, chegou Brienne de Tarth. Ela veio para discutir com Ramsay as condições de troca de mantimentos, e Bolton, farejando lucro, ordenou que todos se comportassem decentemente — o máximo que era possível em um castelo onde os chãos estavam cobertos de carvão e um homem com um escorredor na cabeça rastejava pelos corredores.
Theon Massajoy observava a chegada de Brienne pela janela do porão. Sua mente exausta, acostumada a imagens caricaturais e ao medo eterno, emitiu um veredito instantâneo. Ele viu uma figura alta, de ombros largos em uma armadura pesada, com cabelos loiros curtos e um rosto severo.
— Deuses… —
sussurrou Theon, segurando um pedaço de carvão com reverência.
— Que grande guerreiro. Que… que homem de verdade. Um cavaleiro autêntico! Não como o Jaime com sua mão de ouro, mas um guerreiro severo, potente, de ferro! Eu quero ser igual a ele. Quero que ele me ensine a ser um cavaleiro melhor.. —
Na cabeça de Theon amadureceu um plano «genial». Para ganhar a confiança desse «poderoso senhor», era preciso dar-lhe um presente. Algo que enfatizasse sua masculinidade e sua proeza cavalheiresca.
— Eu vou desenhá-lo! —
decidiu Theon.
— Darei a ele um retrato, e ele me aceitará como escudeiro e me tirará deste terrível Forte do Pavor! —
Theon conseguiu um pedaço enorme de uma tela velha, que um dia servira de toalha de mesa em um velório, e implorou aos cozinheiros por mais um carvão, giz, suco de beterraba e um pouco de ocre amarelo. Desenhou com inspiração, mas suas habilidades estavam ao nível de uma criança de cinco anos que acabara de ter uma crise de enjoo marítimo. No centro da tela, Theon retratou Brienne. Mas como tinha certeza de que aquele era o homem mais bruto de Westeros, decidiu adicionar «traços característicos». Desenhou em Brienne uma barba espessa, preta como carvão, em formato de pá e bigodes retorcidos e valentes, como os dos mercenários de Tyrosh. O rosto no retrato ficou púrpuro por causa do suco de beterraba, e os olhos de tamanhos diferentes. Theon dedicou atenção especial ao cavalo. Em sua concepção, um cavaleiro deve sentar-se sobre algo monumental. Como resultado, sob Brienne na tela surgiu uma criatura com o tronco de um cão curvado, patas de urso e uma cabeça de vaca enorme e triste, que mastigava um bardana desenhado. A armadura no cavaleiro lembrava um monte de latas de conserva amarradas com fitas brancas.
— Ideal… —
exalou Theon, admirando o monstro barbudo sobre o urso-vaca.
— Ele ficará encantado! —
O momento da verdade chegou no salão principal. Ramsay Bolton, Jaime e Cersei já estavam sentados à mesa, prontos para a assinatura do acordo. Brienne de Tarth estava diante deles, reta como uma flecha, com a mão no punho da Cumpridora de Promessas.
— Então, lady Brienne… —
começou Ramsay, mas foi interrompido por um estrondo. No salão irrompeu Theon. Ele arrastava consigo a enorme tela desenrolada. Seu rosto estava manchado de carvão e beterraba, e na cabeça ostentava novamente o escorredor para maior oficialidade.
— Sir! Oh, grande cavaleiro! —
gritou Theon, caindo de joelhos diante de Brienne e desenrolando sua criação. — Eu o observei! O senhor é meu ídolo! Eu quero ser um homem tão digno quanto o senhor! Aceite este presente de seu fiel admirador! —
Brienne baixou lentamente o olhar para a tela. No salão instalou-se um silêncio comparável ao silêncio de um túmulo. Jaime Lannister, ao ver o «retrato», começou a escorregar lentamente para debaixo da mesa, cobrindo a boca com a palma da mão. Cersei simplesmente arregalou os olhos para a Brienne barbuda montada no cão-vaca. Brienne de Tarth olhava para a imagem de si mesma com uma barba farta e bigodes tyroshi. Seu rosto, já severo por natureza, começou a cobrir-se de manchas vermelhas de ofensa. Toda a sua jornada, todas as suas tentativas de provar que era mulher e cavaleiro simultaneamente, foram esmagadas por aquela criatura suja de escorredor na cabeça.
— Eu quero ser como o senhor — um cavaleiro, Sir Brienne! —
continuava a berrar Theon, apontando o dedo para a barba desenhada.
— Veja como transmiti virilmente a sua barba por fazer! É o símbolo da força! —
Brienne suspirou de forma entrecortada. Sua voz tremia de constrangimento e fúria.
— Na verdade… eu sou uma mulher, —
disse ela entre dentes. Theon paralisou. Sua mão, apontando para a cabeça de vaca do cavalo, ficou suspensa no ar.
— Mulher… quem? —
perguntou ele, piscando suas novas sobrancelhas.
— Mas… e a barba? Eu me esforcei tanto… —
Brienne não ouviu mais. Sentia-se profundamente insultada. Ser chamada de «beleza» como zombaria era comum, mas receber um retrato onde era retratada como um anão barbudo em um mutante estava acima de suas forças.
— Não haverá negociações, —
disse ela friamente para Ramsay.
— Se em seu castelo permitem que tais… criaturas insultem embaixadores impunemente, não temos nada a declarar. —
Ela virou-se bruscamente e, batendo a armadura, saiu do salão, sem sequer olhar para Sansa, que tentava chamá-la. O acordo pelo grão, que os Bolton tanto precisavam, estourou como uma bolha de sabão. Ramsay Bolton levantou-se lentamente de seu lugar. Seu rosto estava mais branco que a neve. Ele olhou para o acordo arruinado, depois para Theon, que ainda segurava o retrato barbudo nas mãos.
— Massajoy… —
sussurrou Ramsay, e havia mais ameaça naquele sussurro do que no grito de um dementador.
— Você tem noção do que acabou de fazer? —
Jaime Lannister finalmente não aguentou e explodiu em uma gargalhada:
— Ramsay! Olhe para a barba! É uma obra-prima! Você deve pendurar isso no salão principal! «Brienne-Barbudão no Cão-Vaca»! Massajoy — você é um verdadeiro artista da vergonha!
— TIRE ISSO DAQUI! —
rugiu Ramsay, arrancando a tela das mãos de Theon e enfiando-a na cabeça dele, rasgando o meio. Agora a cabeça de Theon no escorredor brotava diretamente do rosto barbudo de Brienne.
— Você é uma aberração da natureza, asquerosa, fedorenta e burra! Você arruinou meu suprimento de provisões! —
Theon, enrolado na tela, caiu e começou a rolar pelo chão.
— Eu pensei… eu pensei que era um homem… —
soluçava ele debaixo da tinta de beterraba.
— Ela é tão alta… Ela tem ombros tão largos… —
— Você não tem permissão para pensar! —
Ramsay deu-lhe um tapa tão forte que o escorredor voou para a lareira.
— Rasteje para a estrebaria e coma feno lá junto com o seu cão-vaca! De agora em diante você não é o Viajante. Você é o — Artista Degenerado! E se eu vir carvão em suas mãos novamente que não seja para a limpeza — eu o farei comer toda esta tela junto com a moldura! —
Theon saiu rastejando, arrastando consigo os restos da «obra-prima». A vergonha de Theon Massajoy tornou-se lendária novamente. Ele conseguiu insultar a mulher mais paciente de Westeros, arruinar um acordo crucial e consolidar para sempre o título de homem que não vê diferença entre um sujeito barbudo e uma dama de armadura.