Theon Massajoy: Crônicas da maior vergonha

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NC-17
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88 páginas, 37.357 palavras, 28 capítulos
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A Arte da Lisonja Involuntária

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Nos porões de Forte do Pavor, entre barris com vinho azedo, Theon Massajoy planejava uma rebelião. Sua alma ferida, estimulada pelos restos do orgulho dos Greyjoy e pela mágoa pelo «beijamento de esquis» de ontem, exigia justiça. Em sua cabeça, como em uma peça antiga, encenava-se um único cenário: ele se aproxima de Ramsay, olha diretamente em seus olhos e despeja tudo o que está acumulado. — Você é uma prole podre! — sussurrava Theon na escuridão, treinando a voz. — Você é um bastardo, cujo pai se envergonha da sua existência! Seus pés são um erro da natureza! — Ele sentia um influxo de força. Suas novas sobrancelhas franziram-se ameaçadoramente. «Hoje, — pensava ele, — eu deixarei de ser o Fedor. Eu me tornarei Theon Greyjoy! Um Homem de Ferro!» Primeira tentativa Ramsay estava sentado em sua poltrona perto da lareira, cutucando negligentemente os dentes com uma faca. Theon saiu resolutamente da sombra. Ele marchava, imaginando como suas palavras atingiriam Bolton com mais força que um chicote. «Agora!» comandou Theon a si mesmo. «Diga que ele é um cão fedorento!» Ele se aproximou rente. Ramsay levantou lentamente o olhar de seus olhos desbotados. Nesse momento, o TEPT de Theon funcionou como uma armadilha. Imagens da roda, da pinça de sobrancelhas e do telhado gelado passaram diante de seus olhos. Sua boca se abriu, mas em vez de «cão fedorento», saiu dela: — Mestre… suas orelhas… elas são tão graciosamente curvadas, como duas conchas delicadas na margem da baía dos Homens de Ferro! — Ramsay estacou com a faca na boca. — O quê? — perguntou ele, genuinamente sem entender. Theon corou até as raízes do cabelo. — Eu… eu estou dizendo, elas… elas são muito simétricas! — guincho ele e, tropeçando, fugiu de volta para a sombra, ouvindo atrás de si o resmungo confuso de Ramsay. Segunda tentativa Uma hora depois, Theon reuniu sua vontade novamente. — Conchas? Sério? — repreendeu-se ele. — Ah, não. Agora eu direi a ele que a mãe dele era da posição mais baixa, e ele mesmo é uma espinha na bunda do Norte! — Ele viu Ramsay no corredor. Ele ia para a estrebaria, e seus famosos e longos pés-esquis batiam nas pedras: Shlep… Shlep…. «Vamos!» instigava Theon a si mesmo. «Agora mesmo! Insulte os pés dele!» Ele barrou o caminho de Ramsay. Ele parou, e seus longos pés ficaram a poucos centímetros dos dedos de Theon. O medo paralisou a garganta. Theon sentiu como seus joelhos começavam a viver sua própria vida, tentando se dobrar em uma reverência. — Mestre! — disparou Theon. — Eu só queria dizer que os dedos dos seus pés… eles são tão longos e majestosos, como salsichas rosadas preparadas para o banquete dos grandes deuses! Eles… eles são como as colunas de um templo da beleza! — Ramsay ergueu uma sobrancelha. — Salsichas para os deuses? Massajoy, você o quê, se entupiu de «urânio» de novo? — — Não! — gritou Theon, cobrindo o rosto com as mãos. — Eu só… eu só estou encantado com a aerodinâmica deles! — E ele disparou para longe, quase se chocando com Jaime Lannister. Terceira tentativa No salão de jantar, todos os convidados estavam reunidos. Jaime, Cersei e Sansa estavam sentados à mesa. Theon percebeu: esta era sua chance. Insultar Ramsay diante de testemunhas — eis a redenção suprema! Ele bebeu de uma taça esquecida por alguém um pouco de vinagre para criar coragem e dirigiu-se à mesa principal. «Você é um monstro!» — ensaiava ele em sua cabeça. — «Você é uma aberração em forma humana!» Ele parou diante de Ramsay. O salão silenciou. Theon estufou o peito, inspirou profundamente e… viu como Ramsay colocava lentamente a mão em sua faca. O mundo ao redor de Theon flutuou. — Mestre! — a voz de Theon soou clara e solene. — Eu não posso mais me calar..! — O salão silenciou por um minuto. — Sua.. sua.. — Gaguejava Theon. Ramsay ergueu as sobrancelhas em surpresa. — Sua capacidade de cozinhar… ela é tão bela em sua crueldade que me lembra a primeira flor da primavera rompendo o crânio de um inimigo caído! O Senhor é como um cozinheiro de verão, só que de você emana não flores, mas uma morte nobre e um bom sabonete! — Jaime Lannister engasgou com o vinho. Cersei arregalou os olhos. Sansa baixou a cabeça lentamente, sem forças para ouvir aquilo. — Sabonete nobre? — Ramsay começou a avermelhar lentamente, não de raiva, mas de um riso contido. O auge da vergonha Theon estava furioso consigo mesmo. «A última vez!» — decidiu ele. — «Agora eu vou me aproximar e simplesmente cuspir nos pés dele! Até um idiota entenderá isso!» Ele irrompeu no centro do salão, quando todos já se preparavam para sair. Estava confiante como nunca. Sentia em si a força do kraken! Correu até Ramsay, que estava justamente descalço sobre o tapete, esticando seus pés infinitos. — RAMSAY BOLTON! — gritou Theon. Todos paralisaram. Ramsay semicerrou os olhos. Theon abriu a boca para proferir o xingamento mais sujo na história dos Sete Reinos. Mas seu cérebro, definitivamente quebrado por anos de humilhação, emitiu o acorde final, avassalador. — Mestre! — berrou Theon, caindo de joelhos e apontando o dedo para Ramsay. — Se eu fosse uma minhoca, eu sonharia em ser esmagado justamente pelo seu calcanhar! Porque ele é tão macio e anatomicamente perfeito que isso não seria um assassinato, mas uma massagem sagrada! O senhor é o deus dos pés de salsicha e o rei dos meus pesadelos! Eu amo como o senhor franze a testa, isso o faz parecer um pãozinho muito zangado, mas muito caro! — Instalou-se um silêncio mortal. Ramsay Bolton olhava para ele de cima para baixo. E então ele começou a gargalhar. Ele ria tão alto que seus longos pés começaram a vibrar sobre o tapete. — Pãozinho caro?! — berrava Ramsay. — Ouviram?! Eu sou um pãozinho zangado! Jaime, Cersei! Meu Gêiser se declarou para mim através de uma massagem nos calcanhares! Jaime Lannister simplesmente caiu de cara no prato, sacudindo-se de rir. Cersei balançou a cabeça com nojo: — Isso… isso é o tipo de rebelião mais vergonhoso que já vi na vida. Massajoy, você não consegue nem insultar uma pessoa sem transformar isso em lamber botas. — Theon sentou-se no chão, cobrindo o rosto com as mãos. Ele queria ser um herói. Queria ser um orgulhoso Greyjoy. E em vez disso, tornou-se uma criatura que comparou um maníaco a um pãozinho e conchas. — Vá para o canto, adorador de pãezinhos! — Ramsay deu-lhe um chute com seu longo pé na lateral do corpo, mas o fez quase com carinho, através do riso. — Hoje você superou a si mesmo. Você se envergonhou tanto que eu estou com preguiça até de te torturar. — Theon rastejou para o seu canto, sussurrando para si mesmo: «Conchas… pãezinhos… por que eu disse isso…». Seus «ouriços carecas» na testa, ao que parecia, começaram a inchar novamente só de vergonha, enquanto todo o Forte do Pavor ainda lembraria por muito tempo o dia em que o prisioneiro mais terrível dos Bolton tentou iniciar uma revolta com a ajuda de elogios absurdos.
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