Theon Massajoy: Crônicas da maior vergonha

Geral
NC-17
Finalizado
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88 páginas, 37.357 palavras, 28 capítulos
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Dez motivos pelos quais não se deve soprar em canos enferrujados desconhecidos baseado na experiência de Theon Massajoy

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Perto da lareira, envolto em um vapor fétido vindo de seus farrapos que secavam, Theon entrou definitivamente em um torpor pesado. O corpo exausto pela hipotermia parou de obedecer, e ele mergulhou em um sono profundo e febril. No entanto, o calor do fogo não lhe trouxe paz, pois sua consciência foi instantaneamente sugada para o abismo de uma nova visão, ainda mais pavorosa. Naquele crepúsculo sem frestas, aguardava-o um pesadelo tão sofisticado que todas as humilhações anteriores pareceram-lhe apenas uma ninharia distante e sem importância. Theon Massajoy, com sua sede insaciável de conhecimento, saiu ao pátio de seu castelo e viu um cano desconhecido. Theon não ficou parado por muito tempo diante do cano. Ele o atraía como um artefato antigo, escondendo em si mistérios desconhecidos. Mas algo mudara. O ar ao redor do cano parecia vibrar, e o metal irradiava um brilho fraco e doentio. Theon, como sempre, ignorou os pressentimentos. Frequentemente jogavam no pátio algum tipo de cano de escoamento que não servia para nada, e Theon sempre soprava o conteúdo para fora, para descobrir o que havia dentro deste ou daquele cano. Ele levou o cano aos lábios, inspirou profundamente e soprou. Desta vez, nada saiu. Nem mesmo sujeira velha. Apenas um leve retrogosto metálico tocou sua língua. — Estranho.. – pensou Theon. Mas, de repente, sua boca encheu-se de amargor, como se tivesse engolido um pedaço de metal enferrujado. Seus olhos escureceram e uma dor aguda perfurou seu corpo. Ele começou a tossir, tentando livrar-se do gosto abominável, mas era tarde demais. Theon sentiu como algo mudava dentro dele. O sangue fervia nas veias, os ossos queimavam e a pele cobria-se de bolhas estranhas. Ele entendeu. No cano havia… urânio. Urânio radioativo, e agora estava dentro dele. O pânico dominou Theon. Ele correu, tropeçando e caindo, em direção ao seu castelo, esperando encontrar algum tipo de salvação. Mas a cada passo tornava-se apenas pior. O cabelo começou a cair em tufos, a visão piorou e o sangue começou a escorrer pelo nariz. Ele alcançou o espelho e parou petrificado de horror. Seu rosto estava deformado por uma careta de dor, a pele ficara verde e os olhos encheram-se de um fogo insano. Ele estava se transformando em algo… diferente. Logo Theon caiu no chão, contorcendo-se em agonia. Sentia seu corpo se desintegrando, a radiação devorando-o por dentro. A última coisa que viu antes de morrer foi seu próprio reflexo no espelho — deformado, verde, brilhando no escuro. Alguns dias depois, um destacamento de soldados chegou ao pátio do castelo. Eles encontraram o corpo de Theon. Ou melhor, o que restara dele. Uma gosma verde e brilhante, espalhada pelo chão, e um cheiro repugnante de metal preencheram o quarto. Os soldados, horrorizados, recuaram. Sabiam que aquele lugar estava amaldiçoado. A lenda de Theon Massajoy, que encontrara urânio em um cano, seria passada de boca em boca, alertando contra a curiosidade e lembrando que alguns mistérios é melhor deixar sem solução. E o cano foi enterrado profundamente sob a terra, avisando que soprar em coisas desconhecidas é perigoso. — A-A-A-A-A-A-A-A! — Theon deu um salto perto da lareira, derrubando o atiçador e batendo as costas contra a alvenaria de pedra. Respirava com dificuldade, a testa estava banhada em suor frio e o rosto contorcido de pavor. A vergonha já o aguardava. No salão principal, apesar da hora tardia, Ramsay, Jaime, Cersei e Sansa ainda estavam sentados. Bebiam vinho e discutiam como usariam amanhã a nova porção de carvão espalhado. O grito de Theon fez todos estremecerem, e Jaime — derramar vinho em seu gibão dourado, o que o fez praguejar com um bom palavrão real. — De novo?! — Ramsay Bolton bateu com o punho na mesa. — Massajoy, se você berrar mais uma vez como um porco sob a faca, ordenarei que costurem sua boca com seu próprio intestino devolvido! — Theon, sem notar a ameaça, rastejou até eles de quatro. Suas pupilas estavam dilatadas e, como no pesadelo, um fino fio de sangue escorreu de seu nariz (provavelmente pela variação de pressão após o congelamento no telhado). — Urânio! — uivou Theon, agarrando a bota de Ramsay. — Mestre! Tinha um cano lá! Eu soprei nele! Eu fiquei verde! Eu derreti em gosma! Eu me vi no espelho, eu brilhava! Salve-me, eu estou brilhando por dentro! — Jaime Lannister empurrou Theon com nojo com a ponta da bota. — O que ele está dizendo? Que diabos é esse tal de «urânio»? É o nome de algum deus do norte ou o nome de uma nova doença que ele pegou enquanto lambia as pedras? — Seu TEPT atingiu um novo nível — agora ele tem medo de canos. Theon, perdendo definitivamente a razão pelos restos do sonho, levantou-se e começou a correr pelo salão, olhando debaixo das mesas. — Onde está o cano?! Ele está em algum lugar aqui! Se eu soprar nele mais uma vez, me tornarei definitivamente uma gosma! — Ele correu até Sansa Stark e, caindo de joelhos diante dela, começou a respirar freneticamente sobre as mãos dela. — Olhe, lady Sansa! Eu estou brilhando? Meus dentes ainda estão no lugar? Sinto gosto de metal! — Sansa, cuja paciência havia evaporado há muito tempo, olhou para ele com tamanha compaixão e repulsa infinitas que Theon parou por um segundo. — Theon, — disse ela baixinho. — Você é apenas um idiota. Você sonhou com um delírio. Esse tal de «urânio» não existe. Existe apenas você, sua estupidez e este quarto. — Mas Ramsay Bolton já encontrara uma maneira de tirar proveito daquilo. Ele levantou-se lentamente, aproximou-se de Theon e agarrou-o pelo colarinho. — Gosma verde, você diz? Brilha no escuro? — Ramsay mostrou os dentes. — Que ideia interessante. Sabe o que faremos amanhã? Já que você tem tanto medo de se tornar gosma no carvão, verificaremos quão bem você sabe coletar esse carvão com as mãos nuas. — Ramsay virou-se para os convidados. — Amanhã nosso «Viajante Uraniano» coletará carvão por toda a vizinhança. E se ele não encontrar entre as pedras pretas aquele tal «cano», eu pessoalmente o farei soprar todo o conteúdo de todos os esgotos de Forte do Pavor! — Theon começou a chorar novamente, esfregando o suor e o sangue pelo rosto. Ele se envergonhara de forma tão densa que até Jaime Lannister, que o induzira ao «bronzeado», sentiu que aquilo era um exagero. — Durma, Massajoyzinho, — disse Ramsay, empurrando Theon de volta para a lareira. — Durma e espere que no sonho não lhe apareça algum tipo de «maleta radioativa». Amanhã espera por você muito carvão preto e frio. — Theon encolheu-se como uma bola, tremendo de medo. Tinha medo de fechar os olhos, porque no escuro ele ainda via aquele mesmo brilho verde. Tornou-se o primeiro homem em Westeros a receber uma exposição radioativa exclusivamente através da imaginação, e essa vergonha agora o perseguiria até a morte, até que ele realmente se transformasse em gosma — se não pelo urânio, pelo escárnio infinito de Ramsay Bolton. Cersei, desligando o TikTok, sorriu satisfeita. — As visualizações estão batendo recordes. As pessoas em Essos estão perguntando se podem usar o Massajoy em vez de lâmpadas nas minas. O dia de amanhã com o carvão será lendário! —
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