Kraken Ultramarino: Bronzeado de Gelo
14 de janeiro de 2026 21:52
O inverno em Forte do Pavor não estava apenas furioso — ele se agarrou ao castelo com um aperto mortal. Os arredores ainda eram pretos por causa do carvão que Cersei espalhara, e essa paisagem sombria tornava o frio ainda mais insuportável. Theon Massajoy apenas arrastava sua existência miserável. Certo dia, no salão de jantar, Jaime Lannister, bebericando vinho e admirando seu reflexo em uma travessa polida até o brilho, decidiu zombar mais uma vez do Gêiser de Diarreia. Jaime parecia impecável: sua pele tinha um leve tom dourado, como se tivesse acabado de voltar das praias de Dorne, e não de um cativeiro nevado.
— Sabe, Massajoy, —
disse Jaime de forma relaxada, quando Theon se aproximou rastejando para pegar uma crosta de pão caída,
— o segredo da verdadeira grandeza e da beleza masculina reside na cor da pele. Olhe para mim. Eu brilho. Isso é o bronzeado. O sol me beijou porque eu sou um Leão. E você? Você está pálido como uma lula cozida. Você parece uma batata que esqueceram em um porão escuro. —
Theon paralisou, levantando para Jaime olhos cheios de esperança.
— Bro-bronzeado? —
sussurrou ele.
— Se eu ficar… bronzeado, me tornarei rei? — Com certeza! —
Jaime piscou para Cersei, que já começava a configurar seu «TikTok».
— O bronzeado faz você parecer um rei. Ou melhor, não é bem assim. Ele faz de você um rei! Você só precisa deitar sob o sol, relaxar e absorver os raios dele. Quanto mais alto você subir, mais perto estará do sol, e mais rápido se tornará dourado. —
A mente de Theon, que já operava pelas leis do caos, produziu a única solução correta, em sua opinião. «Se o bronzeado faz o rei — preciso me bronzear. Imediatamente. E o mais alto possível.» No meio do dia mais gelado, quando a temperatura caíra tanto que até os bicos dos corvos congelavam, Theon Massajoy subiu no telhado mais alto de Forte do Pavor. Não o deteve nem o vento gélido, nem o fato de o sol estar escondido atrás de nuvens densas e cinzentas. Em sua imaginação, o sol ainda estava lá e o esperava — o novo rei do norte. Ao subir na encosta de pedra inclinada do telhado, Theon decidiu que as roupas apenas atrapalhavam a «grande transformação». Ele tirou seus trapos fedorentos, ficando apenas em ceroulas sujas, e com um grito de «Estou me tornando dourado!» deitou-se diretamente sobre as pedras geladas.
— Sol… coma-me… —
murmurava Theon, fechando os olhos.
— Faça de mim um rei… —
No início, sentiu muito frio. Depois, veio um entorpecimento estranho. Theon jazia com os braços abertos, e seu corpo, que ainda guardava fragmentos de calor, começou a derreter a fina camada de gelo sobre as pedras. Formou-se uma pequena poça de água. Mas como lá fora fazia trinta graus abaixo de zero, a água, aquecida por Theon, começou imediatamente a esfriar de volta. Duas horas se passaram. Theon ficou azul. Sua pele adquiriu não um tom dourado, mas um tom nitidamente azul-claro, cadavérico. Quando ele, finalmente, percebeu que o «bronzeado» não estava indo bem e decidiu descer, descobriu algo terrível. Suas costas, nádegas e pernas haviam congelado mortalmente nas pedras do telhado. A pele úmida grudara no Forte do Pavor de forma tão firme como se tivesse sido pregada.
— O-o-oi… —
uivou Theon, tentando se sacudir. Mas cada movimento causava um som de tecido rasgando… ou de pele.
— SOCORRO! ESTOU PRESO! SO-COR-ROOO! AAAAAAAAAA! —
Nesse momento, Sansa Stark, que estava à janela de sua torre tentando encontrar algum sentido nesta vida, levantou os olhos por acaso. Ela viu algo que fez seu coração parar e sua mandíbula cair lentamente. No topo da torre principal, espalhado como uma rã crucificada, jazia um Theon absolutamente azul e nu. Ele tremia miudamente, e suas novas sobrancelhas estavam cobertas de geada, transformadas em duas estalactites brancas.
— Deuses… —
sussurrou Sansa, levando a mão ao coração. Ela sentiu-se mal.
— Ele… ele decidiu se suicidar da maneira mais estranha na história dos Sete Reinos? —
Ela quase perdeu os sentidos diante do surrealismo visto e correu para pedir ajuda. Dez minutos depois, todo o pátio de Forte do Pavor já estava lá embaixo, olhando para cima.
— Olhem! —
berrava Joffrey, apontando o dedo para o alto.
— É o pássaro azul da felicidade! —
Ramsay Bolton, ao ver Theon, primeiro estacou e depois se dobrou ao meio de tanto rir.
— Bronzeado! —
gritava Ramsay.
— Jaime, você é um gênio! Ele acreditou em você! Ele está se bronzeando em plena tempestade! —
A situação era crítica. Theon poderia simplesmente morrer de hipotermia, tornando-se uma decoração permanente do telhado. Começou uma «operação de resgate», que entrou para os anais da vergonha de Westeros. Primeiro, tentaram jogar cordas para Theon, mas ele não conseguia levantar as mãos — os ombros também haviam congelado. Então, chamaram Daenerys com seus dragões.
— Khaleesi, —
dirigiu-se a ela Tyrion, mal contendo o riso,
— você não poderia pedir ao Drogon para… aquecer um pouco o telhado? Só não transforme nosso Massajoy em uma lasanha assada.. —
Daenerys, fazendo uma careta de nojo, ordenou ao dragão que lançasse um fino jato de chamas pelas bordas. As pedras aqueceram. Theon começou a descongelar. Para descolar definitivamente o «Viajante Pra-Lá-E-Pra-Cá», Ramsay ordenou a todos os servos que trouxessem baldes de urina quente das estrebarias — era mais rápido do que esquentar água. Dezenas de pessoas formaram uma corrente, subindo ao sótão. Elas despejavam o líquido quente no telhado sobre Theon.
— A-a-a-a! Calor! —
gritava Theon, enquanto suas costas se soltavam lentamente das pedras com um som característico de sucção. No final das contas, um grupo de guardas dos Bolton, amarrados com cordas, subiu ao telhado e literalmente «descascou» Theon das pedras. Eles o desceram em um guincho, como a carcaça de uma foca morta. Ele estava coberto de gelo, urina, sujeira e poeira de carvão. Sua pele estava manchada: em alguns lugares azul, em outros vermelha por causa das queimaduras e do congelamento. Cersei Lannister, filmando tudo isso para o seu TikTok, sufocava de êxtase:
— Pessoal, isso é exclusivo! —
Hashtags: #BronzeadoDeGelo #MassajoyAzul #DesgrudeOTheon.
— Temos recorde de visualizações em toda a história da Muralha! —
Theon foi arrastado para o salão e jogado perto da lareira. Ele tremia tanto que os dentes batiam sem parar.
— E então, meu leão dourado? —
Ramsay inclinou-se sobre ele, limpando as lágrimas de riso.
— Como foi a sessão de beleza? Você se sente um rei? —
Theon olhou para as próprias mãos, que ainda estavam azuis.
— O Jaime disse… —
rouquejou ele,
— que o sol faz… mais alto… — Ele fez você ficar acima de todos, —
confirmou Tyrion, dando um gole no vinho.
— Todos vimos o seu traseiro de uma vista panorâmica. Devo dizer que foi a cena mais pálida da minha vida. Nem suas novas sobrancelhas salvaram esse visual. —
Todos ao redor explodiram em gargalhadas novamente. Theon Massajoy sentava-se perto do fogo, abraçando os próprios ombros. Ele continuou sendo um idiota. Não ficou dourado, não ficou bonito. Tornou-se apenas o homem que foi «descolado por toda Westeros» do telhado, e cujo corpo azul agora estava registrado no espelho mágico de Cersei para todo o sempre.
— Na próxima vez, —
sussurrou Ramsay em seu ouvido,
— tente se bronzear na forja do ferreiro. Dizem que lá o bronzeado fica ainda mais uniforme. —
Theon estremeceu. Seu TEPT indicou que aquela era uma má ideia, mas em algum lugar no fundo de seu cérebro entorpecido já nascia a ideia de que a forja do ferreiro — era, talvez, uma ótima chance de finalmente agradar Sansa.