O Norte se lembra. Hogwarts não conseguirá esquecer parte III (Aquele que destruiu os sonhos de infância)
14 de janeiro de 2026 21:48
Azkaban recebeu Theon Massajoy não com gritos de horror, mas com um silêncio sepulcral e bolorento. Os dementadores, esses grandes devoradores de esperança, voavam ao redor de sua cela em um arco largo. O ar ao redor de Theon estava tão impregnado de vergonha e humilhações concentradas que até mesmo as criaturas sem olhos sentiam náuseas. Theon estava sozinho. Sentava-se no canto, acariciando seus arcos superciliares, e de repente descobriu com horror que seus «ouriços carecas» — aqueles mesmos caroços queridos e pulsantes — começaram a diminuir. O inchaço estava sumindo. Em seu lugar, despontavam fios tristes e finos de novas sobrancelhas.
— Não… — sussurrou Theon, deixando cair uma lágrima na sopa da prisão. — Meus amigos… Meus pequenos companheiros carecas… Não me abandonem! — O desespero exigia um ouvinte. Nesse momento, um dementador passava lentamente por suas grades. Ele parecia cansado — aparentemente, acabara de sugar a alegria de algum comensal da morte e tivera azia. Theon agarrou-se às barras da grade.
— Ei! Sombra! Quer ouvir uma piada? — gritou ele. O dementador parou. Ele nunca tinha ouvido falar de prisioneiros oferecendo humor. Ele aproximou-se mais, espalhando frio.
— Escute… — Theon deu uma risadinha nervosa, espalhando o ranho pelo rosto. — O Ramsay Bolton está sentado no porão, amolando a faca, e pergunta para o Fedor: «Fedor, por que você está tão triste? Eu ainda nem tirei a pele do seu calcanhar esquerdo!». E o Fedor responde para ele: «Mestre, eu só estou com medo de que, se o senhor a tirar, eu não poderei me aproximar do senhor para servir». Ha-ha! Entende? — Theon começou a gargalhar freneticamente, batendo com as palmas das mãos nos joelhos. O dementador estacou. Em sua consciência secular, que vira milhares de anos de sofrimento, algo se quebrou. O nível de absurdo e vergonha alheia emanado por Theon ultrapassou a marca crítica. O dementador começou a tremer miudamente. Seu sudário negro começou a acinzentar, ele emitiu um som parecido com o assobio de um bule furado e, diante dos olhos de um Theon maravilhado, simplesmente… estourou. A criatura desintegrou-se em poeira cinzenta, incapaz de suportar o peso daquela «piada». Uma hora depois, os aurores invadiram a cela.
— Isso é impossível! — gritava Kingsley Shacklebolt. — Ele matou um dementador com a força do seu cringe! Não podemos mantê-lo aqui! Se ele contar mais uma piada, Azkaban vai desmoronar! Joguem-no de volta para o portal! Ele é vergonhoso demais para uma prisão mágica! — Theon foi agarrado pelas axilas e, virando o rosto com nojo, foi jogado em um barco. Ele estava novamente na floresta perto de Hogwarts. Mas quando correu para os portões, um golpe o aguardava: sua magnífica cabana de mantos sujos não existia mais. Hagrid a queimara, realizando um ritual de exorcismo naquele local. Theon, chorando, entrou sorrateiramente no castelo por uma passagem da cozinha. Ele vagava pelos corredores, sentindo-se absolutamente nu. Suas sobrancelhas haviam crescido completamente. Sua testa estava lisa.
— Eu sou normal… — soluçava ele, tocando suas novas sobrancelhas. — Eu sou apenas Massajoy… Devolvam-me os ouriços! Dói tanto ser normal! É tão tediante e triste! — Theon desanimou. No corredor do terceiro andar, ele deu de cara com Harry Potter. Harry, que acabara de voltar do treino de quadribol, olhou com desconfiança para o homem adulto e exausto em farrapos, que tocava as próprias sobrancelhas e chorava.
— Hã… oi? — disse Harry cautelosamente. — Quem é você? E… quantos anos você tem, afinal? Você não parece um aluno do primeiro ano. — Theon paralisou. A questão da idade o atingiu no coração. Ele olhou para o jovem Harry. Theon tinha mais de trinta, mas em sua alma ele ainda queria ser selecionado para a Lufa-Lufa e receber um manto gratuito. Sentiu uma vergonha insuportável por ele, o velho «Gêiser», estar tentando ganhar a confiança das crianças.
— Eu… eu… — Theon corou tanto que suas novas sobrancelhas se mexeram. Ele não conseguiu proferir uma palavra. A vergonha o paralisou. Ele simplesmente virou-se e, com um grito selvagem de terror, saiu correndo pelo corredor, cobrindo o rosto com as mãos.
— Ei, espere! — gritou Harry, mas Theon já voava pelas escadas, sem olhar o caminho. Ele irrompeu no patamar da escada exatamente no momento em que a Professora Hooch passava por ali. Ela carregava um feixe de vassouras novas e assobiava algo. Theon, cego pelas lágrimas e pela vergonha, chocou-se contra ela em velocidade total.
— Cuida-a-a-do! — foi tudo o que ele conseguiu gritar. O impacto foi de tal força que a frágil Professora Hooch voou para fora do patamar. Ela caiu três lances de escada abaixo. Ouviu-se um terrível e seco…
CRAQUE. Theon parou, olhando para baixo. Madame Hooch jazia no chão de pedra em uma pose não natural. Seu pescoço estava quebrado em um ângulo impensável. Ela morrera instantaneamente, sem ter tempo sequer de soltar as vassouras das mãos.
— Oh não… — sussurrou Theon. — Eu de novo… eu estraguei tudo de novo. — Hogwarts entrou em polvorosa. O sino fúnebre tocou. Dumbledore, McGonagall e Snape desceram até o corpo. Declararam luto na escola. Snape olhou para cima, para o trêmulo Theon, e em seus olhos brilhou um ódio tal que o ar ao seu redor ferveu.
— Massajoy…! — rosnou Dumbledore. Sua voz não era mais bondosa. — Você matou nossa professora. Você destruiu a memória da escola. Você matou um guarda de Azkaban. Você é uma maldição ambulante. — Theon foi imobilizado por amarras mágicas. Foi arrastado por todo o castelo até aquele mesmo bosque onde o portal pulsava. Os estudantes perfilavam-se pelos corredores e, em seus olhos, não havia riso — apenas um ódio puro e gélido. Por causa daquele «aberração», sua amada professora de voo estava morta.
— Para sempre! — gritou McGonagall. — Por sua causa, Theon Greyjoy, estamos fechando o caminho entre os mundos! Nenhuma criança de sua Westeros maldita cruzará novamente o limiar desta escola! Você roubou a magia do seu futuro! — Theon foi chutado com força para dentro do portal. Ele voou para o abismo brilhante, e a última coisa que ouviu foi o som da porta se fechando e as palavras de Dumbledore: «Selar para sempre». O portal no bosque sagrado de Winterfell se fechou, transformando-se em uma pedra cinzenta comum. A magia deixou Westeros. As crianças em Porto Branco e Solar das Estrelas, que sonhavam com cartas de Hogwarts, nunca as receberam. Tudo por causa de um único homem. Theon caiu na neve suja de Forte do Pavor, exatamente sobre aquele carvão que Cersei espalhara. Suas sobrancelhas estavam no lugar, mas sua alma estava mais vazia do que nunca. Ramsay Bolton estava parado ali perto, palitando os dentes com um ossinho. Ele viu Theon, que aparecera do nada pela segunda vez, coberto de penas de vassouras e cheirando à morte da professora.
— O-o-o! — Ramsay bateu as mãos alegremente. — Olhem só! Nossa Centrífuga de Macarrão voltou de sua viagem! Você o quê, voou no saco de novo? Ou te expulsaram até do inferno por causa das piadas ruins? — Ramsay aproximou-se e, com toda a força, deu um chute na barriga de Theon. — Agora você não é mais apenas o Fedor para nós. Você é — o Viajante Pra-Lá-E-Pra-Cá! O grande andarilho entre a vergonha e a catástrofe! — Theon jazia na lama, olhando para o céu cinzento do Norte. Ele sabia que o portal não existia mais. Sabia que matara a única pessoa que poderia ensiná-lo a voar. Ele fechou os olhos, e as novas e espessas sobrancelhas ficaram molhadas com suas lágrimas.
— Eu sou o Fedor… — sussurrou ele. — O Viajante Pra-Lá-E-Pra-Cá… — Ramsay gargalhou e ordenou que dessem a Theon sua tigela de cachorro. Mas, desta vez, o macarrão estava frio, e no fundo da tigela jazia uma pequena minhoca seca, que parecia lembrá-lo zombeteiramente da redenção fracassada. A vergonha de Theon tornou-se absoluta: ele se tornou o homem que fechou a porta para o conto de fadas para o mundo inteiro.