A Batalha das Sobrancelhas
14 de janeiro de 2026 21:26
O salão de Forte do Pavor fervilhava de pompa e fedor. Ramsay Bolton superou a si mesmo: para mais um ato de humilhação de seu animal de estimação, ele convocou todos que seu mensageiro conseguiu alcançar. Na longa mesa, repleta de iguarias duvidosas, estavam sentados: Cersei Lannister, que bebia vinho como se tentasse se afogar nele; Jaime, que observava tudo com a expressão de «por que eu não fiquei como prisioneiro?»; Tyrion, já adormecido em seu prato; Daenerys Targaryen, que perguntava constantemente, «isso é mesmo o Norte ou um circo?»; Joffrey Baratheon, rindo e jogando ratos nas taças dos lordes; Walder Frey, mastigando com a boca desdentada, e Ellaria Sand, que ainda não perdoara a Theon o encontro noturno no saco. No meio do salão, ajoelhado, estava Theon Massajoy. Após as aventuras na centrífuga, ele ainda cambaleava um pouco, e seu olhar estava fixo no infinito, onde momentos de sua vergonha giravam em vez de estrelas.
— Hoje, —
anunciou Ramsay, brincando com uma pinça de prata,
— nosso grande filósofo Massajoy adivinhará enigmas! Por cada resposta errada, arrancarei exatamente um fio de suas belas e espessas sobrancelhas.
Theon estremeceu. As sobrancelhas eram a única coisa que ainda o lembrava de sua antiga glória masculina.
— Comecemos! —
Ramsay inclinou-se sobre ele.
— Enigma um: O que sempre vai, mas nunca alcança o fim do caminho, e tem uma raiz que não cresce na terra? —
Theon piscou, seu cérebro começou a trabalhar febrilmente.
— Hã… Um navio no oceano? — Não, idiota! A resposta é: Dente! Tem raiz, e ele vai embora… quando você o perde! —
Ramsay arrancou um fio com prazer. Theon guinchou.
— Enigma dois: O que tem um coração que não bate e uma cama na qual nunca dorme? —
Theon tremeu.
— Um morto no caixão? — Pense mais, Massajoy. Dou-lhe uma chance. — Hã… Minha tigela de cachorro? — Não! A resposta é: Rio! Tem um leito-cama e um fluxo central! —
Ploc! Mais um fio deixou a sobrancelha de Theon.
— Enigma três: O que você pode pegar, mas não pode jogar fora, mesmo que te incomode muito? — Grito? —
soluçou Theon.
— Seu grito eu posso jogar pela janela, —
gargalhou Joffrey.
— A resposta é: Resfriado! —
Ramsay puxou a pinça novamente.
— Enigma quatro: O que pertence a você, mas outras pessoas usam com mais frequência que você mesmo? — Ilhas de Ferro? —
supôs Theon.
— Pense mais. — Minha… minha centrífuga? — Resposta: Seu nome, idiota! —
Theon começou a chorar.
— Enigma cinco: O que tem garganta, mas não tem cabeça, e tem ombros, mas não tem braços? — Um fantasma? —
balbuciou Theon.
— Não! A resposta é: Garrafa! —
Ramsay arrancou outro fio.
— Enigma seis: O que passa por cidades e campos, mas nunca se move do lugar? — Vento? —
Theon olhou para Ramsay com esperança.
— Pense mais, Gêiser. — Nuvem? — Errado! A resposta é: Estrada! —
Mais um puxão.
— Enigma sete: O que só fica maior quanto mais você tira dele? —
Theon fechou os olhos.
— O saco de dívidas? — VOCÊ É UM DESESPERADO! —
rugiu Ramsay.
— Foi o Poço! Um buraco comum na terra! —
Ramsay de repente se irritou. O processo fio a fio parecia lento demais. Ele chutou Theon pela nuca e simplesmente… com movimentos bruscos dos dedos arrancou todos os fios restantes de ambas as sobrancelhas de Theon.
— AAAAAAAA! —
uivou Massajoy.
Ramsay deu-lhe um tapa estalado no pescoço, que fez a cabeça de Theon balançar para a frente.
— Silêncio! Último enigma. O mais importante. Se acertar, ganha uma tigela de macarrão com manteiga. Se errar — vai lamber pedras. —
Todo o salão ficou em silêncio. Até Tyrion acordou. Ramsay enrugou o nariz astutamente.
— Enigma oito: Quantos ouriços-do-mar carecas Theon Massajoy tinha? —
Theon paralisou.
— T-t-três? —
adivinhou ele aleatoriamente. Ramsay o atingiu com a palma da mão diretamente no lugar onde as sobrancelhas estavam. A pele ali estava vermelho-vivo e já começava a inchar.
— Incorreto! Mais uma vez: quantos ouriços-do-mar carecas Theon Massajoy tinha?! —
— Cinco? —
gritou Theon. Outro golpe nos arcos superciliares inflamados.
— Não! Pense! —
— Dez?! —
Outro golpe. O local acima dos olhos de Theon começou a se transformar em dois caroços enormes e vermelhos. Theon fechou os olhos com força. Seu cérebro, acostumado ao sofrimento, produziu uma última tentativa de lógica.
— Um… —
sussurrou ele.
— Eu tinha um ouriço careca, mestre…
— Por que um? —
Ramsay paralisou, antecipando a tolice. Theon soluçou, esfregando as lágrimas pelas bochechas.
— Eu… eu traí os Starks apenas uma vez. E então minha alma me picava por dentro, como um ouriço no coração. Mas depois do que vocês fizeram comigo, todas as agulhas caíram. Minha alma ficou careca… Eu me sinto como esse ouriço careca. Um só no mundo inteiro… —
Um silêncio se instalou no salão. Daenerys até suspirou com simpatia, e Jaime desviou o olhar. Mas Ramsay Bolton de repente irrompeu em uma risada tão selvagem que quase caiu do pódio.
— Um?! Um?! —
Ramsay batia nas coxas.
— Pelos deuses, você é mais burro do que eu pensava! Dois, idiota, dois! Você tinha dois ouriços carecas! —
Theon, piscando os olhos, sob os quais agora se elevavam dois inchaços enormes, perguntou:
— Por que dois, mestre? Onde eles estão? —
Ramsay pegou um espelho e o enfiou bem no rosto de Theon.
— Olhe para suas sobrancelhas, Gêiser! Você não as tem - eu as arranquei. E por eu ter batido nessas áreas, elas incharam, ficaram vermelhas e ficaram redondas. Olhe! Dois caroços redondos, carecas e rosados! Estes são seus ouriços carecas! Você mesmo os criou! —
Theon fixou o olhar no espelho. Do reflexo, olhava para ele uma criatura com dois «ouriços carecas» enormes e brilhantes no lugar das sobrancelhas. Eles realmente pareciam duas pequenas feras carecas e inflamadas grudadas em sua testa. O salão explodiu. Joffrey caiu da cadeira, batendo as pernas de tanto rir. Frey riu tanto que sua dentadura caiu na sopa de Cersei. Tyrion gargalhava, esguichando vinho. Até a severa Ellaria Sand cobriu a boca com a mão, sacudindo-se de tanto rir.
— Lorde das Sobrancelhas de Ouriço! —
gritava Ramsay.
— Olhem para seus ouriços carecas! Eles estão olhando para nós! —
Theon sentou-se no chão, tocando os caroços inchados e sem pelos sobre os olhos. A humilhação estava completa. Theon Massajoy voltou a ser o auge da piada, e Ramsay Bolton, o sádico mais feliz dos Sete Reinos.