Theon Massajoy: Crônicas da maior vergonha

Geral
NC-17
Finalizado
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88 páginas, 37.357 palavras, 28 capítulos
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Os sonhos são especialmente belos

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A noite em Forte do Pavor estava abafada, impregnada com o cheiro de umidade e da humilhação de ontem. Theon Massajoy dormia em uma pilha de palha podre, encolhido como uma bola. Seus arcos superciliares inchados — aqueles mesmos «ouriços carecas» — ainda pulsavam de dor, e em seu sono sua mente despedaçada decidiu destruir de vez os restos de sua personalidade. Ele sonhava com as Ilhas de Ferro. Mas não com as rochas escarpadas que ele lembrava, mas sim com um bosque silencioso e abandonado, envolto pelo denso crepúsculo da noite. No centro do bosque havia um represeiro velho e branco, cujo rosto, esculpido na casca, parecia chorar uma seiva vermelha. Theon estava sentado, com as costas apoiadas em seu tronco frio. Sentia-se infinitamente velho e gasto, como se seus ossos fossem feitos de giz quebradiço. De repente, seu olhar caiu para a terra. Ali, entre as folhas podres, uma pequena minhoca se contorcia. Theon olhou para ela com um sorriso triste. — E o que você está fazendo aqui, pequenino? — sussurrou ele, e sua voz no silêncio do sonho soou como o farfalhar da grama seca. — Procurando seu almoço? Espero que tenha mais sorte que eu na busca pela paz. Estranho. Normalmente vocês, criaturas, evitam as pessoas. Especialmente as como eu.. — A minhoca, como se o tivesse ouvido, rastejou propositadamente em direção a Theon e subiu em sua bota. Theon paralisou, observando a criatura. — Você está persistente hoje. Bem, já que você quer tanto… — Theon pegou a minhoca com cuidado e a colocou na palma da mão. A criatura estava fria e úmida. — Tão pequeno, e vive sua própria vida, — disse Theon pensativo. — Ninguém julga, ninguém trai. Apenas rasteja para frente, faz a sua parte. Sem macarrão, sem senhores… — De repente, Theon sentiu uma dor aguda e ardente na palma da mão. Ele gritou de surpresa. A minhoca, de alguma forma impossível, cravou-se em sua pele. — Mas que diabos é isso… — exalou Theon. A dor começou a aumentar, transformando-se em uma pulsação insuportável. Theon tentou sacudir a criatura, mas ela se agarrou à sua carne mortalmente. Diante de seus olhos, a minhoca começou a crescer rapidamente. Seu corpo inchava, mudando de cor do rosa para o negro-carvão, brilhante como obsidiana. — O que está acontecendo?! — gritou Theon, tentando arrancar o monstro com a outra mão. A minhoca tornou-se enorme, gorda e asquerosa. Já não era apenas um inseto — era uma serpente preta e gorda vinda dos pesadelos. O monstro enrolou-se ao redor do braço de Theon, esmagando os ossos com tanta força que eles começaram a estalar. — Pare! Saia de cima de mim! — vociferou Theon, rolando pelo chão do bosque. A minhoca ignorou suas súplicas. Os anéis frios deslizaram para cima, envolvendo o pescoço de Theon. A jiboia começou a apertar. Theon abriu a boca, tentando inspirar, mas sentia apenas o cheiro de podridão e terra úmida. — Não… Não assim… — rouquejou ele. Tentava lutar, mas suas forças se esvaíam. Sentiu como a minhoca começava a penetrar no interior de seu corpo — pelos poros, pela boca, pelos olhos, devorando-o literalmente por dentro e substituindo suas entranhas por si mesma. A pele vermelha e brilhante do monstro preencheu todo o seu campo de visão. No último momento, antes que a escuridão o consumisse definitivamente, Theon sussurrou uma única palavra: — Re…den…ção… — Ele caiu ao chão sem vida. A minhoca consumiu completamente seu corpo, deixando apenas um espaço vazio no lugar de Theon. O bosque mergulhou novamente no silêncio, interrompido apenas pelo farfalhar das folhas. — AAAAAAAAAA! — Theon deu um salto na palha, sufocando em seu próprio grito. Estava todo coberto de suor pegajoso, o ranho escorria pelo nariz e as lágrimas inundavam seu rosto, descendo pelos «ouriços carecas» inchados. Ele se apalpava freneticamente, verificando se aquela minhoca não estava sobre ele. Na porta do canil estava Ramsay, atraído pelo grito. Ao seu lado estavam Jaime Lannister e Tyrion, que se dirigiam justamente para um café da manhã precoce. — Oh, vejam só, nosso Massajoy está executando uma parte solo novamente! — exclamou Ramsay alegremente. — O que foi desta vez, Gêiser? Você viu uma panela gigante no sonho de novo? — Theon, sem raciocinar pelo horror, rastejou até os pés de Ramsay, espalhando ranho pelo chão. — Mestre! Mestre, era uma minhoca! Ela me comeu! Ela era terrível e brilhante! Eu a chamei de pequena, mas ela… ela se tornou minha redenção! — Theon uivou, sacudindo o corpo todo. — ela me devorou! Eu morri! — Ramsay parou por um segundo e então seu rosto iluminou-se com um êxtase sobre-humano. Ele virou-se para os convidados. — Vocês ouviram? Ouviram isso? Nosso herói tem pesadelos noturnos com minhocas! — Jaime Lannister cobriu os olhos com a mão, sentindo como um riso histérico fervia dentro dele. Tyrion apenas deu um gole na taça que sempre carregava consigo. — Massajoy, — disse Tyrion, — eu já vi muitas coisas estranhas, mas você… você é a obra-prima da criação. Você sonhou que uma minhoca te comeu e agora está chorando por causa disso para Westeros inteira? — Ramsay agarrou Theon pelo colarinho e o arrastou para o pátio, onde os demais convidados já se reuniam: Cersei, Daenerys e Joffrey. — Ouçam todos! — gritou Ramsay. — Nosso Massajoy teve uma nova visão! A Grande Minhoca Gigante apareceu para ele! Massajoy a convidou para o almoço, e a minhoca decidiu que o almoço seria o próprio Massajoy! E a última coisa que ele disse antes da «morte» — foi a palavra «Redenção»! — Todo o pátio explodiu em gargalhadas. Joffrey quase se engasgou com a torta. — Redenção por minhoca! — berrou Joffrey. — É a melhor coisa que já ouvi! Massajoy, você é tão patético que até nos seus sonhos você é derrotado por uma isca de peixe! — Cersei olhou com repulsa para o Theon choroso. — E este homem um dia se chamou de príncipe? Ramsay, seu zoológico está ficando cada vez mais cansativo..! — Daenerys Targaryen balançou a cabeça. — Em Essos dizem que os sonhos são o reflexo da alma. Pelo visto, sua alma, Theon, realmente não vale mais do que comida para minhocas. — A vergonha foi total. Theon sentava-se na lama, banhado em ranho e lágrimas, enquanto sobre ele trovejava a gargalhada de toda Westeros. De agora em diante, aos seus inúmeros títulos, acrescentou-se mais um — redenção verminosa. Todas as manhãs, os guardas agora jogavam minhocas em sua tigela de macarrão, perguntando: «E então, Massajoy, hoje você a come ou ela come você?» E Theon apenas soluçava baixinho, percebendo que nem em seus sonhos ele conseguia encontrar paz, transformando qualquer pesadelo em motivo para o riso geral.
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