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“Afinal, o que é a felicidade? E o que significa ser feliz?”, pergunto a mim mesma, olhando para o espelho, ainda meio ensonada. Essas são perguntas que me faço todos os dias, e todos os dias busco uma resposta. – Ayaka, despacha-te! Vem tomar o pequeno-almoço! – Já vou, mãe! – respondo, vestindo o uniforme da escola. Na cozinha, dou os bons dias aos meus pais, e eles retribuem. Enquanto como, penso no que faz meus pais felizes. Lembro-me de ter perguntado isso à minha mãe uma vez, e ela respondeu sorrindo: “Conhecer o maluco do teu pai e ter-te como filha”. A resposta dela me intrigou. Eu não conseguia entender muito bem o que ela queria dizer. Depois de terminar o café da manhã, despeço-me dos meus pais e sigo para a estação de comboio. No caminho, vejo um jovem casal, que parece feliz, o que me faz lembrar dos tempos em que namorava. Recordo aquele sentimento de expectativa ao esperar pela pessoa amada, e sorrio ironicamente, pensando em quanto tempo duraria a felicidade deles. Logo o altifalante anuncia a chegada do comboio, e entro, assim como o casal. Durante a viagem, fico dividida entre observar a paisagem em movimento e lançar olhares discretos ao casal. Quando meu namoro terminou, passei dias deprimida. Mas o curioso é que, mesmo depois da dor, recordo os momentos engraçados que vivemos juntos, como a vez em que ele participou de um concurso de donuts e acabou a semana toda doente por ter comido demais. O comboio chega ao destino, e saio. – Bom dia, Ayaka! – ouço uma voz feminina. – Oi, Ayaka! – diz uma voz masculina. – Bom dia, Fuu e Hisagi! – respondo com um sorriso. A Fuu é minha amiga desde a primária, e sempre esteve ao meu lado, inclusive quando precisei superar a tristeza do fim do namoro. Ela tem o dom de levantar o ânimo de qualquer um, sempre com histórias engraçadas. A mais memorável foi quando saímos pela escola à procura de sapos fugitivos do laboratório de ciências. Já o Hisagi, conheci no último ano da primária. Engraçado como o destino nos colocou na mesma turma. Talvez fosse mesmo destino. Chegamos à escola, cumprimentamos os colegas e ocupamos nossas carteiras. O professor não demora a entrar para começar a aula. Enquanto ele fala, minha mente vagueia pelas respostas que encontrei na internet para minhas perguntas. Três delas me deixaram a pensar: A primeira dizia que a felicidade é ter uma conta bancária recheada. A segunda, ser o mais famoso. A terceira, possuir bens valiosos. Nenhuma dessas respostas parecia ser aquilo que procuro. Depois das aulas, Fuu sugere que matemos tempo à margem do rio, e eu e Hisagi aceitamos. A brisa da tarde é revigorante, e todos nós nos estendemos na relva. – O que querem fazer no domingo? – pergunta Fuu, deitada na relva. – E se fizéssemos uma excursão? – sugere Hisagi, animado. – Ótima ideia! – concorda Fuu. – Mas há um problema – digo eu. – Qual? – pergunta Hisagi. – Precisamos de um adulto, porque ainda somos menores. – Verdade… nem pensei nisso – responde Hisagi, desapontado. – Vou perguntar aos meus pais. Aposto que eles aceitam vir conosco – digo eu. – Fixe! – respondem os dois. De volta a casa, falei com os meus pais, que ficaram tão empolgados quanto nós. Eles sugeriram vários lugares, e acabamos escolhendo Kyoto. – Adoraria conhecer Kyoto – disse eu. – Está decidido! – disse meu pai, radiante. Corri para o meu quarto e avisei Fuu e Hisagi sobre os planos. Estava tão animada que mal consegui dormir. Na manhã seguinte, ajudei meu pai a preparar as coisas para a excursão, e às 8h30, meus amigos chegaram. Cantamos e conversamos durante o trajeto, e a sensação era indescritível. – Chegamos! – disse meu pai. – Uau! Kyoto é lindo! – exclamei, maravilhada. Visitamos o Museu de Artes de Kyoto e depois almoçamos perto do templo Heian-Jingu. Sentada no banco, olho para o céu, perdida em pensamentos. – Ayaka, estás pensativa hoje. O que se passa? – pergunta Fuu. – Nada demais… só estou à procura de respostas. – Que respostas? – pergunta Hisagi, curioso. – Se te perguntassem o que é a felicidade, Fuu, o que responderias? – pergunto, olhando-a. – Hum… acho que a resposta não é tão complicada – diz ela, sorrindo. Ela menciona um rapaz da escola que, mesmo com muito dinheiro, acabou solitário por não ter amigos verdadeiros. Isso me fez refletir. – A felicidade não se compra, Ayaka. Ela é construída com pequenos momentos partilhados com as pessoas que amamos – conclui Fuu. Suas palavras ecoaram na minha mente. De repente, tudo fez sentido. Lembrei-me do que minha mãe disse sobre a felicidade de me ter como filha, e finalmente compreendi. – Vocês fazem-me feliz todos os dias – digo, emocionada. Naquele momento, percebi que a felicidade estava mais próxima do que eu imaginava, nos pequenos momentos que vivia com as pessoas que amo. Quando chegamos a casa, peguei um pedaço de papel e escrevi: “O que é a felicidade?” R: A felicidade é feita de pequenos momentos partilhados com as pessoas de quem mais gostamos. “O que significa ser feliz?” R: Ser feliz é valorizar esses momentos e transformá-los na nossa própria felicidade.O Que Significa Ser Feliz?
11 de fevereiro de 2026 14:33
Géneros: Amizade
Sinopse: ““Afinal, o que é a felicidade? O que significa ser feliz?” Estas são perguntas que faço todos dias e todos os dias procuro uma resposta para elas.”