O Norte se lembra. Hogwarts não conseguirá esquecer parte I (Theon, três vezes não bruxo)
14 de janeiro de 2026 21:44
A manhã em Forte do Pavor não trouxe alívio. A neve preta, misturada com poeira de carvão por ordem de Cersei, rangia sob os pés como os ossos dos inimigos caídos. O ar estava impregnado de frio e de uma sensação de absurdo iminente. Theon Massajoy, cujos «ouriços carecas» na testa tornaram-se roxo-escuros pelo frio e pelos espancamentos de ontem, sentava-se no meio do pátio. Sua mente, castigada pelo TEPT e pela dieta de macarrão, encontrava-se em um estado de absoluta e gélida indiferença. Cersei Lannister, envolta em peles de raposa, segurava diante de si o «Espelho de Momentos».
— Seguidores, vocês não vão acreditar, —
sussurrava ela para o artefato.
— Massajoy hoje parece que foi mastigado e cuspido por um gigante. Vamos ver o que acontece a seguir..! —
Nesse momento, o espaço entre a estrebaria e a sala de tortura estremeceu. O ar encrespou-se, como a superfície de um lago onde jogaram uma vaca morta. Com um assobio terrível, o funil de um portal se abriu. De lá veio um cheiro de algo de outro mundo: uma mistura de pergaminho, livros velhos, balas de limão e magia. Ramsay Bolton paralisou, seus olhos se arregalaram. Jaime levou a mão à espada. Mas Theon não se importava. Ele estava tão indiferente que, se daquele buraco saísse a cabeça de um dragão, ele simplesmente estenderia sua própria cabeça vazia para ela. Lentamente, cambaleando, ele se levantou. Seu escorredor, que sobrara da «expedição equestre», pendia ridiculamente na nuca. Sem dizer uma palavra, Theon deu um passo à frente e simplesmente desapareceu na bocarra brilhante do portal. Ele caiu do nada direto no chão de pedra de um castelo enorme. Acima dele flutuavam milhares de velas, e nas mesas sentavam-se centenas de crianças em mantos. À frente, em um estrado, estava um velho com uma barba mais longa que a lista de pecados dos Bolton.
— Nome? —
perguntou uma mulher severa vestida de verde.
— Theon… Fedor… Massajoy… —
rouquejou ele, esfregando a poeira de carvão pelo rosto. Fizeram-no sentar em um banquinho. Na cabeça, bem em cima dos «ouriços carecas» pulsantes, colocaram um Chapéu velho e sujo. O Chapéu estremeceu. Ele parou, tentando atravessar as camadas de TEPT, as memórias da centrífuga e o cheiro de carne de cavalo cozida.
— Oh deuses… —
sussurrou o Chapéu.
— Eu vi o abismo, mas tamanha concentração de vergonha… O seu lugar não é na Grifinória, lá precisam de heróis. Você não é Lufa-Lufa, lá precisam de esforçados. Corvinal? Não, o seu cérebro é macarrão. Que seja SONSERINA! Lá pelo menos valorizam a sobrevivência a qualquer custo. —
Theon caminhou em direção à mesa em tons de verde. Os sonserinos se afastaram dele como de um leproso. A primeira aula foi Poções. O Professor Snape, cujos cabelos pretos brilhavam tal qual a pele daquela minhoca do sonho de Theon, passou por ele.
— Massajoy… —
cuspiu Snape.
— Diga-me, qual é o efeito da infusão de espinhos de porco-espinho se adicionarmos… muco de minhoca do pântano? —
Theon olhou para Snape. Naquele olhar negro ele viu Ramsay. O TEPT o cobriu como um tsunami. Pareceu-lhe que Snape ia pegar uma faca agora mesmo e começar a cortá-lo em pedacinhos para a poção «Fraqueza de Greyjoy». Em um surto de pânico, Theon gritou: «Redenção!» — e com um movimento da mão varreu da mesa todas as retortas e frascos. Uma gosma fedorenta e corrosiva inundou a barra das vestes do professor.
— FORA DAQUI AGORA! —
berrou Snape, e sua voz sacudiu as paredes da masmorra.
— Fora da minha classe, escória de macarrão! —
Theon ficou triste, mas decidiu que o céu era o seu elemento. Afinal, ele um dia fora o príncipe de Pyke! Ele roubou a vassoura da Professora Hooch e disparou para o alto.
— Tuc-tuc! Cuidado! —
berrou ele, levantando as pernas de forma ridícula. Mas quando subiu acima das torres de Hogwarts, ele viu lá embaixo não Hogwarts, mas Winterfell e os Starks queimados, depois a floresta. Pareceu-lhe que os lobos dos Stark corriam atrás dele para morder seus dedos restantes. Theon perdeu a concentração. Os «ouriços carecas» na testa embaçaram sua visão. A vassoura deu um solavanco e Theon, caindo, foi rolando para baixo, atravessando o teto de uma das estufas e aterrissando exatamente em uma pilha de esterco de dragão. No banquete por ocasião da chegada dos novos alunos, a vergonha tornou-se definitiva. Quando surgiram tortas enormes nas mesas, Theon, cujo estômago lembrava apenas de massa seca e da tigela de cachorro, jogou o garfo de lado. Ele agarrou a torta com as duas mãos, mergulhou o rosto nela e começou a devorar a carne vorazmente, com ruídos de sucção. A gordura escorria pelo seu queixo, pedaços de massa grudaram nos «ouriços».
— Eu sou um homem de ferro! —
rosnou ele para McGonagall, que tentava detê-lo.
— Nós não semeamos! Nós comemos tudo o que não está pregado na mesa! —
Dumbledore levantou-se, seus olhos não cintilavam mais com bondade.
— Theon Massajoy, —
disse ele com uma voz de trovão.
— Sua presença aqui destrói a própria essência da magia. Você está expulso. Imediatamente. —
Mas Theon não tinha para onde ir. De manhã ele estava no portão, chorando e esfregando pelo rosto o pudim jogado por alguém da janela. Ele rastejava de joelhos, implorando por uma segunda chance.
— Eu vou limpar os caldeirões! Eu vou beijar os pés dos elfos! —
uivava ele. McGonagall, cujo coração não suportou tamanha cena humilhante, convenceu Dumbledore a deixá-lo como «ajudante de serviços gerais». Mas teria sido melhor se ela não o fizesse. Theon tornou-se uma catástrofe ambulante.
Poções: Theon decidiu ajudar Snape. Ele adicionou ao caldeirão com a «Poção do Morto-Vivo» uma tintura de conchas de Pyke. Ocorreu uma explosão. A sala transformou-se em um aquário gigante, e os cabelos de Snape ficaram para sempre paralisados na forma de tentáculos de polvo.
Transfiguração: Theon tentou transformar um ouriço em um porta-alfinetes. Olhando para seus caroços na testa, ele entrou em transe. O ouriço transformou-se em um rato enorme e escamoso com o rosto de Ramsay Bolton. O rato devorou todos os estoques de mantos e quase devorou uma aluna do primeiro ano (ela foi salva depois, mas começou a gaguejar).
Feitiços: Flitwick pediu para levitar uma pena. Theon, lembrando-se de sua centrífuga, girou a varinha com tanta força que levantou o próprio Professor Flitwick no ar. Ele ficou preso no lustre, e Theon esqueceu o feitiço de descida, sugerindo «derrubá-lo com uma flecha, como no Norte».
Herbologia: Theon decidiu «adubar» as mandrágoras. Ele trouxe um balde de esterco de dragão misturado com ranho. As mandrágoras cresceram até três metros, ganharam vozes e começaram a cantar em coro: «Fedor, Fedor, esse nome é para você!». A escola inteira ficou surda por três dias.
Defesa Contra as Artes das Trevas: Chegou um novo professor. Theon ofereceu-se para mostrar como lutar contra um Bicho-Papão. O Bicho-Papão transformou-se em Ramsay com uma faca enorme nas mãos e começou a torturar um dos alunos. Theon desmaiou, urinando previamente em toda a sala de aula.
Astronomia: Theon «consertou» o telescópio. Após sua intervenção, o aparelho passou a mostrar não as estrelas, mas exclusivamente o quarto do diretor Dumbledore em tempo real. Quando a classe inteira viu Dumbledore em uma touca de dormir com patinhos, o diretor gritou tanto que carvalhos centenários caíram na Floresta Proibida.
História da Magia: Para «animar» a aula tediante do fantasma Binns, Theon decidiu encenar a batalha do Tridente. Ele abriu todas as torneiras dos banheiros, inundando três andares. Binns ficou preso em uma rede imaginária, e os alunos flutuavam sobre as classes como se fossem botes.
Trato de Criaturas Mágicas: Theon decidiu que os testrálios eram seus irmãos perdidos. Ele tentou alimentá-los com carne crua de suas próprias mãos, mas os testrálios decidiram que Theon era uma presa mais fácil. Hagrid teve que resgatar Massajoy com uma abóbora gigante.
Voo (final): Apesar da proibição, Theon roubou uma vassoura «Nimbus-2000». Ele tentou fazer um looping, mas em vez disso entrou voando pela janela do Salão Principal durante o jantar solene. Ele voou sobre todas as mesas, derrubando candelabros, e aterrissou exatamente em uma tigela enorme com pudim de framboesa. Todo o salão silenciou. Theon estava sentado na gosma rosa, com uma asa de mandrágora pendurada na cabeça e um escorpião de Snape saindo de seu ouvido. Dumbledore aproximou-se dele lentamente. Seu rosto estava pálido e suas mãos tremiam.
— Fora, —
disse o diretor baixinho.
— Vá embora. Agora mesmo. Para sempre. —
A varinha de Theon foi quebrada em seu próprio joelho. Apagaram sua memória da magia, mas deixaram a memória da vergonha. Gilderoy Lockhart, parado à porta, observava o banimento de Theon com inveja.
— Que cringe… —
sussurrou Lockhart.
— Tamanha escala… Eu nunca conseguirei repetir isso.. —