Um cavalo no saco
14 de janeiro de 2026 21:38
Theon Massajoy, herdeiro da ambição e da negligência, parou diante do estábulo, onde no brilho da pelagem e na postura orgulhosa ostentava-se um garanhão negro.
— Criação inacreditável! —
exalou ele encantado, antecipando uma aparição triunfal na feira e, depois — no torneio, coroando assim sua ascensão à glória. Mas o preço… O preço, nomeado por um cavalariço corpulento e corado, era tal que o fôlego de Theon parou. Ele começou a pechinchar, a implorar por um desconto, a descrever sua dedicação aos cavalos, a jurar amizade eterna e cuidado. O cavalariço a princípio ouviu com um sorriso de lado, mas depois, cansado do fluxo de promessas vazias, vociferou
— Suma, moleque! Se não tem dinheiro, vá pastar cabras! —
e virou-se, desviando o rosto. Ofendido, Theon vagou pela feira como por um campo de batalha do qual fora expulso. Desanimado, ele observava cavalos menores, mas mesmo para eles faltavam alguns veados de prata, o que feria dolorosamente seu amor-próprio. E então uma voz o chamou, fria e viscosa, como o veneno de uma serpente
— Você procura um cavalo digno, Massajoy? —
Theon levantou os olhos e viu um homem, envolto em uma capa escura, cujo rosto parecia ter sido esculpido em granito. Cabelos escuros caíam sobre os ombros, emoldurando uma face pálida, e o olhar de olhos negros era penetrante e inquisitivo. O vendedor falava lentamente, com um sorriso quase imperceptível que revelava desprezo pelos outros. Além disso, os modos, a maneira de falar, toda a sua aura não permitiam que Theon dissesse não.
— S-sim, senhor… hã… v-vendedor. Mas, infelizmente, minhas possibilidades financeiras são limitadas, —
confessou Theon.
— Eu tenho a solução para o seu problema —
disse pausadamente o vendedor. Ele apontou para uma carroça coberta, sob cujo toldo projetava-se a parte traseira de um cavalo, envolta em estopa.
— Um cavalo de raça excepcional. Confiável, resistente. Ninguém ficará indiferente. —
Theon, cativado pela promessa, encantado pela maneira do vendedor (embora estranha) e desesperado pela impossibilidade de comprar um garanhão, aceitou. O preço era ridículo. Ele guiava o “cavalo” pela corda, esperando por um milagre. Faltava muito pouco para chegar em casa. Quando Theon, finalmente, montou e arrancou o saco… O que viu o deixou em choque, misturado com horror. No lugar onde deveria estar a cabeça do cavalo, encontrava-se… mais uma, a segunda, bunda de cavalo! Saudável, brilhante, com um rabo balançando no ritmo de uma doença incompreensível, e no lugar do focinho — outra bunda enorme e sem vergonha.
— Droga! —
sussurrou ele, antes que o cavalo, sentindo a liberdade, soltasse um “pum” ensurdecedor e cagasse em Theon da cabeça aos pés. Theon desabou na lama, sufocando com o fedor e a percepção de sua humilhação. Ao redor, irrompeu a gargalhada. “Mas que idiota! Quem compra um cavalo no saco!” gritavam os curiosos, apontando para o Massajoy cagado. E então Theon percebeu: ele tivera um pressentimento, mas o ignorou, e agora pagava, como sempre, com estupidez. E o vendedor, aparentemente, era a personificação de seus piores pesadelos, surgido para escarnecer dele. Aconteceu que o sonho de glória transformou-se apenas em fracasso, e tudo isso fora merecido.