Theon Massajoy: Crônicas da maior vergonha

Geral
NC-17
Finalizado
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88 páginas, 37.357 palavras, 28 capítulos
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Coleção do carniceiro

Configurações
O inverno em Winterfell foi rigoroso. Os suprimentos de comida estavam se esgotando e Ramsay Bolton, como de costume, resolvia o problema à custa dos mais fracos. A Theon, como a criatura mais insignificante e inútil, foi confiada a tarefa de coletar carniça nos arredores do castelo. Todos os dias, vestido em farrapos fedorentos, Theon vagava pelos campos cobertos de neve em busca de animais mortos. O que ele encontrava era repugnante: carcaças roídas por lobos, cadáveres esmagados por carroças, restos congelados de pássaros. Mas tal era a ordem, e Theon, temendo represálias, tentava cumpri-la da melhor forma possível. Ele colocava todas as descobertas em um saco grande e furado, que arrastava atrás de si pela neve. O saco era tão velho e sujo que exalava um fedor insuportável. Certo dia, voltando para Winterfell com uma “pesca” especialmente “farta”, Theon encontrou um grupo de soldados de Bolton. Eles, como sempre, estavam hostis e procuravam um pretexto para zombar do “Gêiser de Diarreia”. — Ei, Massajoy! O que você tem aí no saco? Espero que não sejam seus intestinos de novo? – gritou um dos soldados, com um sorriso zombeteiro. Os outros soldados caíram na gargalhada. Theon, com a cabeça baixa, tentou passar direto, mas os soldados bloquearam seu caminho. — Mostre o que você tem aí! Também estamos interessados no que você anda comendo! – insistiu outro soldado, empurrando o peito de Theon. Theon, percebendo que era inútil resistir, abriu o saco com relutância. O fedor da carne em decomposição atingiu o nariz, fazendo os soldados fazerem careta. — Eca, que nojo! O que é isso? – exclamou um dos soldados, olhando dentro do saco. No saco, além de ossos podres e tufos de pelo, jazia… um dedo humano. Decepado, azulado pelo frio, com a unha quebrada. Os soldados paralisaram de horror. Eles sabiam que Ramsay Bolton amava torturas, mas alguém colecionar dedos decepados… isso era demais até para eles. — O que é isso, Massajoy?! Você está matando pessoas?! Você está coletando os restos delas?! – gritou um dos soldados, levando a mão à espada. Theon, em pânico, começou a se justificar. — Não! N-não! Eu não matei ninguém! Eu encontrei este dedo… ele só estava lá… no campo…! — Os soldados não acreditaram nele. Decidiram que Theon tinha enlouquecido e se tornado um canibal. Sem pensar duas vezes, agarraram-no e o arrastaram até Ramsay Bolton. — Milorde! Pegamos o Massajoy! Ele está matando pessoas e coletando seus restos num saco! — relatou o comandante do destacamento. Ramsay, interessado, ordenou que trouxessem Theon e seu saco até ele. Ao ver o conteúdo do saco, Ramsay franziu a testa. Ele, com certeza, era um homem cruel, mas desprezava o canibalismo. — Explique-se, Massajoy! O que é essa imundície?! — rosnou Ramsay, apontando para o dedo humano. Theon, tremendo de medo, repetiu sua história. Jurou e jurou que não matara ninguém e que encontrara o dedo por acaso. Ramsay, após refletir, decidiu que Theon, muito provavelmente, dizia a verdade. Sabia que Massajoy era covarde e fraco demais para matar pessoas. Provavelmente, apenas tropeçara nos restos de alguma vítima de lobos ou de outro predador. Mas Ramsay não podia perder a oportunidade de zombar de Theon. — Pois bem, Massajoy, eu acredito em você, — disse Ramsay, com um sorriso diabólico. — Mas já que você gosta tanto de coletar todo tipo de nojeira num saco, ordeno que carregue este saco com você o dia inteiro! Para que todos saibam que você é um lixo ambulante! — A partir desse dia, Theon Massajoy foi obrigado a carregar constantemente seu saco fedorento de carniça. Por onde quer que fosse, as pessoas se viravam com repulsa, apontavam o dedo e gritavam: — Olhem! Lá vai o “O Que Tem no Saquinho”! O que será que ele trouxe hoje? — O apelido “O Que Tem no Saquinho” tornou-se para Theon mais uma marca de vergonha, mais um lembrete de sua posição humilhante. Ele era um pária, um excluído, um homem que todos desprezavam e temiam. E nem mesmo a morte poderia livrá-lo dessa maldição.
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