Fonte de Forte do Pavor
14 de janeiro de 2026 20:53
A vida de Theon Massajoy em Forte do Pavor transformou-se em um ciclo infinito de dor e espera por uma nova porção de vergonha. Depois de ter desfilado pelo pátio em rendas rosas e um turbante com um pássaro empalhado, parecia que não havia como cair mais fundo. Mas Ramsay Bolton sempre sabia encontrar um novo fundo onde outros viam apenas solo firme. O problema de Theon consistia não apenas em sua psique quebrada, mas também na fisiologia. A dieta de macarrão seco e cru, que o obrigavam a comer na tigela de cachorro, começou a dar seus frutos. O estômago de Theon transformou-se em um campo de batalha. A massa seca absorvia cada gota de umidade do organismo, transformando-se dentro dele em uma espécie de cimento. Ele se sentia como se tivesse engolido um saco de cascalho. Sua barriga inchou, tornou-se dura como um tambor, e cada movimento ecoava com uma dor surda e dilatadora. Ramsay, que observava o «animal de estimação» com interesse científico, notou essas mudanças.
— Você parece mais pálido que o normal, Massajoy, —
notou ele certa manhã, palitando preguiçosamente os dentes após o café da manhã.
— E essa sua barriga… Por acaso você engravidou daquele vestido rosa? Ou a carne de cavalo branca finalmente decidiu criar raízes em você? —
Theon apenas soltou um ganido lamentável, abraçando o próprio corpo. Suas entranhas borbulhavam como se um bando de ratos enfurecidos estivesse trancado ali.
— Vejo que está difícil para você, —
disse Ramsay com compaixão (e isso era o mais assustador).
— Você precisa… se limpar. Aqui no Norte temos um remédio antigo para aqueles que estão «entalados». Chamamos isso de «Coquetel de Forte do Pavor». —
Ramsay fez um gesto para um servo, que trouxe uma jarra pesada. Dela emanava um cheiro forte e azedo, que fazia os olhos lacrimejarem. Era uma mistura de cerveja rançosa, óleo de rícino, suco de beterraba selvagem e mais algumas infusões que o meistre guardava para casos particularmente graves de constipação equina.
— Beba, —
comandou Ramsay.
— A jarra inteira. Se você não a beber até o fundo, ordenarei que costurem sua boca, e então o macarrão ficará em você para sempre. —
Theon, tremendo de pavor, começou a beber. O líquido era viscoso, amargo e causava espasmos imediatos. Ele engolia, engasgando e chorando, até que o fundo da jarra apareceu.
— Excelente, —
sorriu Ramsay.
— E agora, para que o remédio faça efeito, precisamos de exercício físico. Vá para o salão principal. Meu pai está recebendo alguns porta-estandartes hoje, e quero que você fique na guarda de honra… bem atrás da minha cadeira. —
O salão principal de Forte do Pavor estava cheio de homens severos em peles. Roose Bolton sentava-se à cabeceira da mesa, discutindo mapas e suprimentos de grãos. Ramsay acomodou-se à sua direita. E atrás de Ramsay, pálido como um lençol e imóvel como uma estátua, estava Theon. Passou-se cerca de uma hora. O «Coquetel» de Ramsay entrou em reação química com os quilos de macarrão seco dentro de Theon. Em sua barriga começaram processos que poderiam interessar aos alquimistas de Porto Real. Os gases expandiam-se com uma força monstruosa, procurando uma saída. Theon cerrava as mandíbulas de tal modo que os dentes rangiam, e seu intestino trabalhava no limite das capacidades humanas, segurando uma pressão comparável à pressão da água em uma represa. Ramsay, que sentia o tremor de Theon em suas costas, mal conseguia conter o sorriso. Ele sabia que o final estava próximo.
— Massajoy, —
disse Ramsay de repente em voz alta, interrompendo a fala de seu pai.
— Você está muito quieto. Venha cá, mostre aos nossos convidados como você serve com dedicação. Incline-se e ajuste minha bota. Aquela mesma que você poliu ontem com rosas. —
Theon olhou para Ramsay com olhos cheios de agonia mortal. Inclinar-se? Inclinar-se agora significava quebrar a hermeticidade de todo o sistema.
— Eu… senhor… —
rouquejou ele.
— Incline-se! —
berrou Ramsay, e sua voz atingiu os nervos de Theon como um chicote. Theon começou a descer lentamente. Cada deslocamento do centro de gravidade causava tremores sísmicos dentro dele. Quando suas costas se dobraram em um ângulo de quarenta e cinco graus, algo estalou ensurdecedoramente dentro dele. Eram as placas tectônicas do cimento de macarrão se movendo. E então, a represa rompeu. Não foi apenas um som. Foi um golpe acústico que fez a chama das velas sobre a mesa oscilar. De Theon irrompeu um fluxo de tal força e volume que parecia que as leis da física haviam deixado de existir. Uma massa líquida e borbulhante, impulsionada pela força reativa dos gases acumulados, explodiu para fora, superando a resistência das roupas. Infelizmente para todos os presentes, atrás de Theon estava uma antiga tapeçaria da casa Bolton com a imagem do Homem Esfolado. O jato marrom que saiu de «Massajoy» atingiu exatamente o centro da tapeçaria, pintando-a instantaneamente com novas cores não previstas pela heráldica. Mas o processo não parou por aí. Não foi um estouro único, mas uma erupção incessante. Theon foi arremessado para frente pelo recuo e, incapaz de parar, começou a girar no lugar, tentando agarrar-se a algo.
— Deuses! —
gritou um dos lordes, saltando de seu lugar quando os respingos chegaram à sua taça de vinho. Parecia um gêiser. Um gêiser sujo, fétido, jorrando sob uma pressão impossível. O fluxo ricocheteava no chão de pedra, regava as pesadas mesas de carvalho e as botas dos lordes. Theon, emitindo sons entre soluços e uivos de uma fera ferida, girava como um aspersor de jardim solto no inferno. Roose Bolton, um homem que vira milhares de mortes e torturas, largou lentamente a faca, seu rosto congelado em uma expressão de profundo nojo. Já Ramsay… Ramsay estava satisfeito. Ele saltou de pé, apontando o dedo para o Theon que se contorcia e jorrava fluxos.
— Olhem! —
berrava Ramsay, perdendo-se em uma risada histérica.
— Olhem para ele! É uma maravilha da natureza! É a fonte de Forte do Pavor! —
Theon finalmente esgotou sua «munição» e desabou de rosto na poça de sua própria vergonha. O salão mergulhou no silêncio, interrompido apenas pela respiração pesada de Theon e pelo gotejar vindo da tapeçaria. O cheiro era de tal intensidade que um dos jovens escudeiros perto da saída desmaiou. Ramsay limpou as lágrimas de riso que desciam em bicas por suas bochechas. Ele se aproximou de Theon, tentando não pisar na zona de impacto.
— Massajoy, isso foi refinado demais para você, —
disse Ramsay, sufocado de alegria.
— Você não é um homem. Você não é nem o Fedor. Você é um desastre natural. Você é o Gêiser de Diarreia! —
Os lordes à mesa, vendo que Ramsay ria, começaram a soltar risadinhas desajeitadas, embora muitos tivessem vontade apenas de queimar suas roupas e partir para outro castelo.
— Ouçam todos! —
gritou Ramsay para todo o salão.
— De agora em diante, se alguém o chamar de Theon ou Fedor, terá que se ver comigo. O nome dele é — Gêiser de Diarreia! E ele andará pelo castelo com um sininho, para que as pessoas saibam: O GÊISER ESTÁ SE APROXIMANDO, e é preciso esconder a comida e as capas limpas! —
Roose Bolton levantou-se sem dizer uma palavra. Lançou ao filho um olhar que dizia «você é um filhote doente» e saiu do salão. Mas Ramsay não se importava. Ele se aproximou de Theon e deu-lhe um leve chute na lateral.
— Levante-se, Gêiser. Vá para o estábulo. Há uma fossa de esterco onde você dormirá hoje. E não esqueça: amanhã de manhã temos macarrão de novo. Precisamos recarregar seu jato para a chegada da próxima delegação.
Theon, agora definitivamente tendo perdido os restos da dignidade humana, rastejou em direção à saída. Atrás dele, pelo piso de pedra limpo, estendia-se um rastro largo e sujo. O sininho, que Ramsay arrancara do gorro de bobo de alguém e jogara para ele, Theon apertou no punho. Daquele dia em diante, surgiu uma nova lenda em Forte do Pavor. As mães assustavam as crianças: «Se você se comportar mal, o Gêiser de Diarreia virá e inundará seu berço». Theon, por sua vez, quando sua barriga começava a roncar novamente por causa do macarrão seco, estremecia com o corpo todo. Ele sabia que Ramsay Bolton jamais esqueceria aquele show, e que o título de «Gêiser de Diarreia» era uma marca que cheirava pior do que qualquer morte. Ele fora Theon Greyjoy, herdeiro das Ilhas de Ferro. Mas agora ele era apenas o Gêiser, um homem cujo único feito consistia em ter conseguido estragar uma tapeçaria ao custo do próprio intestino, sob a gargalhada de seu torturador.