Aquele podre do Theon finalmente apodreceu de vez com um câncer
16 de janeiro de 2026 20:41
O inverno em Winterfell sempre cheirava a fumaça e agulhas de pinheiro, mas nesta noite, o ar nos becos dos fundos da antiga fortaleza parecia estagnado e pegajoso. Theon Massajoy — um homem cujo nome agora significava não a vergonha de uma casa perdida, mas a proximidade fria da sepultura — vagava pelos cantos mais escuros do castelo. Ele passou pelos canis e pela forja, aventurando-se mais fundo nos lugares onde a umidade havia corroído as muralhas antigas.
Ali, num beco sem saída atrás de um antigo armazém de couro, um cano enferrujado coberto por uma película viscosa projetava-se do alicerce. Esta era a garganta de drenagem de Winterfell. Por anos, a imundície fluiu por aqui; aqui os cavalariços se aliviavam, aqui caíam as bitucas de tabaco acre, e aqui o conteúdo dos penicos era despejado. O cano soprava um fedor: uma mistura de amônia, vômito e algo não natural, como se o próprio ferro por dentro estivesse apodrecendo junto com os dejetos.
Theon, com a mente nublada por um estranho fatalismo, caiu de joelhos. Ele pressionou os lábios contra a borda gelada e denteada do cano, sentindo o gosto de urina velha e corrosão. Respirando fundo, ele soprou com força para dentro e, em seguida, rendendo-se a um impulso louco, inalou de volta tudo o que irrompeu das profundezas daquelas entranhas de ferro.
Uma nuvem de esporos invisíveis, células mutantes, metais pesados e contágios antigos instalou-se instantaneamente em sua mucosa. Theon tossiu, limpando a boca com a manga, e se afastou, sem saber que, naquele momento, milhares de demônios adormecidos haviam despertado em seu corpo.
Nos primeiros dias, a doença comportou-se de forma insidiosa. Theon sentia apenas uma estranha secura na boca e um gosto metálico que nem mesmo uma cerveja forte conseguia lavar.
No quinto dia, as “pequenas” estranhezas começaram. Uma pequena mancha escura no seu pescoço, que ele sempre considerara um sinal, subitamente escureceu para uma cor negro-carvão e começou a sangrar ao menor toque — o melanoma foi o primeiro a se anunciar. Naquela mesma noite, Theon descobriu que suas gengivas haviam se tornado não naturalmente pálidas e esponjosas, e manchas escarlates ficaram na sua toalha limpa após se lavar. A leucemia aguda havia começado sua colheita silenciosa na sua medula óssea.
Ele começou a tossir — a princípio raramente, como se fosse pela poeira da estrada. Mas, ao fim da semana, a tosse tornou-se seca e persistente, ecoando profundamente em seu peito. Era o adenocarcinoma dos pulmões espalhando seus primeiros tentáculos. Mas a sensação mais desagradável era no seu abdômen: ali, profundamente abaixo das costelas, uma sensação de peso surda e dolorosa instalou-se. O câncer de fígado e pâncreas já haviam começado a conflitar por espaço dentro dele.
Theon Massajoy olhou no espelho e viu que o branco dos seus olhos adquiria um tom amarelado leve, quase imperceptível. Ele ainda não sentia dor, apenas uma fadiga estranha e avassaladora. Ele era como um castelo com milhares de cargas de pólvora colocadas em seu alicerce. O pavio fora aceso no momento em que seus lábios tocaram o cano enferrujado.
Duas semanas se passaram, e o mundo para Theon Massajoy estreitou-se ao tamanho do seu quarto em uma das alas frias de Winterfell. As muralhas do castelo, que antes pareciam inabaláveis, agora pressionavam sobre ele como a tampa de um caixão. Mas isso não era apenas uma doença — era uma sinfonia de destruição, onde cada órgão executava seu solo de leito de morte.
A manhã começava não com luz, mas com a percepção da nova arquitetura pulsante do seu corpo. Theon passava os dedos pela pele e sentia “ervilhas”, “feijões” e “uvas” sob ela — seus linfonodos, devastados pelo linfoma de Hodgkin, haviam inchado, transformando seu pescoço e axilas em aglomerados de carne alienígena. Em seu peito e costas, as manchas carmesins e carnosas do sarcoma de Kaposi floresciam como flores horríveis brotando através da neve.
Sua cabeça agora pesava literalmente uma tonelada. Dentro do seu crânio, nas profundezas mais escuras do seu cérebro, um glioblastoma estava amadurecendo. Ele pressionava seus nervos ópticos, e o mundo de Theon começou a duplicar e desaparecer. Quando ele tentava focar na chama de uma vela, ela se despedaçava em milhares de faíscas, e seu ouvido esquerdo enchia-se com um zumbido constante e enlouquecedor — esta era a canção do osteossarcoma, que começara a devorar os ossos de sua mandíbula.
— Volta… — ele sussurrou, mas o som da própria voz o aterrorizou. Sua voz tornara-se rouca e rachada. O câncer de garganta estava fechando suas garras ao redor do seu pescoço, transformando cada palavra em tortura.
O almoço trazia uma nova porção de sofrimento. Ele olhava para uma tigela de caldo, mas seu esôfago, devastado pelo carcinoma de células escamosas, havia estreitado tanto que até um gole de água parecia como engolir vidro quebrado. Assim que o líquido atingia seu estômago, era recebido pelas punhaladas ferozes do adenocarcinoma. Ele vomitava não apenas bile, mas uma massa espessa cor de café em que fragmentos da sua própria mucosa flutuavam.
Theon jazia na cama e, naquele momento, uma convulsão o atravessou. Os ossos de suas pernas, crivados pelo mieloma, haviam se tornado quebradiços como galhos secos. Parecia que, se ele virasse bruscamente, seus quadris simplesmente se esfarelariam dentro dos músculos. Cada movimento era acompanhado por um estalo surdo e seco.
— Por que eu fiz isso? — ele pensava, encarando o teto cinzento. — Por que eu toquei naquele cano? —
Mas, no fundo de sua consciência torturada, não havia remorso. Havia um senso estranho e pervertido de conclusão. Ele não era meramente um homem doente. Ele se tornara uma enciclopédia viva da morte. Dentro dele vivia o câncer de próstata, respondendo com uma dor ardente no baixo ventre; dentro dele crescia o nefroblastoma, transformando seus rins em sacos inúteis de pus; seu sangue, envenenado pela leucemia, não carregava mais oxigênio, apenas fermentava lentamente, como um vinho velho.
As emoções de Theon embotaram, substituídas por um horror constante e de fundo. Ele sentia sua personalidade se dissolvendo nesta catástrofe biológica. Ele não lembrava mais do gosto do mar ou do perfume do vento. Agora ele conhecia apenas os cheiros do seu próprio corpo: o cheiro de carne em decomposição, o odor de suor de amônia e o aroma efervescente e metálico do sangue escorrendo pelos seus poros.
À noite, ele sonhava com aquele mesmo cano enferrujado. No sonho, ele era infinitamente longo, e dele, milhares de olhos o vigiavam — eram células, desejando a vida ao custo da sua morte. Ele acordava com o seu próprio grito, que ficava preso na garganta como um caroço sangrento.
Sua pele tornou-se cinza-terrosa, esticada sobre o crânio tão firmemente que ele parecia um cadáver vivo. Mas isto era apenas o começo. O pesadelo principal, a agonia que uniria todos esses tumores em um acorde final, ainda estava por vir. Ele sentia algo enorme e pesado dentro dele — metástases entrelaçadas em um único nó — girando lentamente, preparando-se para finalmente rasgá-lo por dentro.
Nos últimos três dias, Theon Massajoy deixou de ser humano. Um fedor pairava nos aposentos de Winterfell, tão imundo que até os lobos gigantes experientes uivavam além das muralhas, sentindo o cheiro de carne se decompondo ainda em vida. O frio do Norte não o salvava mais — o calor irradiando do seu corpo era não natural; era a reação térmica de bilhões de células enlouquecidas devorando umas às outras.
Theon jazia sobre lençóis que há muito haviam se tornado uma mortalha pegajosa. Sua pele, corroída por sarcomas e carcinomas, tornara-se translúcida e tensa, como pergaminho num tambor. Através dela, podiam-se ver os nós pretos das metástases se deslocando por dentro. Dos seus poros, como aquelas pústulas lendárias sussurradas em mitos, uma massa espessa e cinza começou a espremer-se para fora — um concentrado de câncer. Emergindo lentamente, como pasta de dente, endurecendo no seu corpo em crostas fétidas que cheiravam a vômito velho e ao ferro enferrujado daquele mesmo cano.
Os mais aterrorizantes eram os teratomas. Devido à falha de todos os códigos genéticos no seu corpo, tecidos começaram a crescer descontroladamente: tufos de cabelo grosso e dentes humanos subdesenvolvidos e tortos rompiam a pele no seu abdômen e coxas. Eles mordiam sua própria carne, roendo-o por dentro. Theon queria gritar, mas o câncer de laringe e língua transformara sua boca em uma bagunça de úlceras sangrentas e carne em expansão. Em vez de um grito, apenas um som de esguicho e assobio escapava de sua garganta — seus pulmões, transformados em uma esponja porosa e podre, lutavam para empurrar o ar através da lama.
Seu esqueleto não o sustentava mais. O mieloma e o osteossarcoma haviam transformado seus ossos em algo parecido com giz molhado. Quando ele involuntariamente sacudiu o braço de dor, o osso do seu antebraço quebrou com um som úmido, e um estilhaço afiado e crivado de tumores perfurou sua pele. Mas quase não havia sangue; em vez disso, uma lama espessa e serosa fluiu, repleta de leucócitos mutantes.
A consciência de Theon oscilava e desaparecia. Em momentos de clareza, ele sentia seus globos oculares saltando das órbitas devido ao retinoblastoma pressionando-os por dentro. O mundo era carmesim e pulsante. Ele sentia cada tumor: como o adenocarcinoma do seu pâncreas estava literalmente digerindo suas entranhas com suas enzimas, como o câncer de intestino inchava seu estômago, transformando-o em uma esfera imunda pronta para explodir.
Na noite final, a agonia atingiu o seu pico. Cada terminação nervosa no seu corpo enviava um sinal de dor extrema ao seu cérebro. Não era apenas fogo; era a sensação de milhões de agulhas em brasa entrando simultaneamente em cada célula do seu ser. Ele estava trancado dentro da sua própria carne, que se revoltara contra ele. O glioblastoma no seu cérebro começou a apagar sua memória: ele esqueceu seu nome, esqueceu o rosto do seu pai, esqueceu o gosto do pão. Apenas o cano restou. Aquele cano enferrujado, coberto pelos dejetos de outros, que agora lhe parecia o limiar do próprio Inferno.
Pouco antes da morte, seu corpo não conseguiu mais suportar a pressão. Com um som suave de esguicho, as paredes de seus intestinos e estômago finalmente se decompuseram, e todo o conteúdo de sua cavidade abdominal — uma mistura de imundície, massas cancerosas e sangue semidigerido — jorrou por sua boca e nariz. Theon Massajoy afogou-se na sua própria malignidade.
Quando os servos finalmente ousaram entrar no quarto, viram sobre a cama não um homem, mas uma massa informe, cinza-negra, cravejada de cabelos e dentes, que continuava a pulsar quase imperceptivelmente por vários minutos após o coração ter parado. O câncer era tão agressivo que as células continuavam a se dividir mesmo no corpo morto até terem devorado os últimos vestígios de oxigênio.
O nome Massajoy tornou-se sinônimo de um fim mais terrível do que qualquer inferno imaginado. Em Winterfell, aquele quarto foi emparedado e semeado com sal, mas dizem que, à noite, uma tosse seca e enferrujada ainda pode ser ouvida lá de dentro.