Você gostou, Theon?

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NC-21
Finalizado
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4 páginas, 1.569 palavras, 1 capítulo
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Theon é um canibal terrível

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Aqui está a tradução deste fanfic para o português. Nota: Mantive o nome “Makarendjoy” conforme o original, pois parece ser um apelido específico desta versão da história. A noite no Forte do Pavor estava impregnada de frio e tédio. Jaime Lannister, esparramado em uma cadeira, girava uma taça de vinho entre seus dedos dourados. Ramsay tinha ido para o canil, e no salão restavam apenas Jaime, a gélida e exausta Sansa, e Theon, que estava sentado aos pés de Lannister, contraindo as sobrancelhas como de costume. Jaime, tomado por um entusiasmo cínico, decidiu testar quão profunda era a loucura de Makarendjoy. Ele olhou para Sansa, cuja pele parecia transparente sob a luz do luar. — Escute, Makarendjoy — arrastou Jaime preguiçosamente. — Você não acha que Lady Stark parece… apetitosa hoje? Ela é tão doce que, se eu estivesse no seu lugar, não conseguiria resistir. Isso é uma ordem do Leão, Theon. Coma-a. Toda, até a última gota. Viva. Mostre que tipo de kraken predador você é! Jaime sorriu, esperando que Theon começasse a hesitar de forma ridícula ou soltasse algum elogio idiota. Mas ele não considerou uma coisa: o cérebro de Theon há muito deixara de distinguir a ironia. A palavra “ordem” vinda de um homem em armadura dourada funcionou em sua cabeça como uma alavanca. Theon levantou-se lentamente. Seus olhos, desprovidos de qualquer brilho de humanidade, fixaram-se em Sansa. — Uma ordem… — sussurrou ele. — O Leão ordenou — Makarendjoy cumprirá. Sansa Stark, sentindo que algo estava errado, encolheu-se contra o encosto da cadeira. — Theon? — sua voz tremia. — Theon, isso não tem graça. Já chega. Afaste-se de mim! Mas Theon já não ouvia. Ele se aproximou; exalava um cheiro de carvão velho, cão e loucura. No momento seguinte, ele se lançou sobre ela com a fúria de uma fera faminta. Ouviu-se o primeiro som insuportavelmente alto — o rasgar do tecido de seu vestido e o grito agudo e penetrante de Sansa. Theon cravou os dentes no ombro dela. — A-A-A-A-A! THEON, NÃO! — ela gritou, tentando empurrá-lo com suas mãos fracas. — PARE! DEUSES, AJUDEM-ME! JAIME, DIGA A ELE! Quando Makarendjoy cravou os dentes no ombro de Sansa pela primeira vez, algo estalou em seu cérebro nublado pelo estresse pós-traumático. Por muito tempo, sua dieta consistira em macarrão seco, vermes e carniça suspeita, por isso o gosto da carne viva e quente o atingiu como um raio. A primeira coisa que sentiu foi o calor. Um calor real e vivo que tanto lhe fizera falta no telhado gelado do Forte do Pavor. O sangue de Sansa, espesso e salgado, jorrou em sua boca, lavando o gosto de pó de carvão e ferrugem. Para ele, era incrivelmente saboroso. Para seu corpo faminto e torturado, não era apenas um banquete, era o prazer supremo. A carne era tenra, suculenta, literalmente derretia na língua, enchendo Theon com uma força primitiva. Slurp… Gole… Cada pedaço que ele arrancava ecoava em sua cabeça com um êxtase estranho. Ele sentia a textura dos músculos, o estalar das cartilagens sob os dentes. Era como voltar para casa, para os tempos em que era um grande caçador. Em sua mente, uma sinfonia selvagem começou a tocar: os gritos de Sansa misturavam-se com a mastigação rítmica, criando a música macabra de sua obediência. No entanto, em algum lugar no fundo de sua alma despedaçada, sob a camada de loucura e fome animal, agitou-se uma piedade silenciosa, como o farfalhar de folhas secas. “Ela é tão macia…” pensou Theon, mastigando outro pedaço suculento de seu antebraço. “Como um pássaro livre, o passarinho cantor de Winterfell.” Ele olhou nos olhos dela, arregalados de horror, onde se refletia seu próprio rosto ensanguentado, e sentiu uma leve tristeza. Lembrou-se de quando ela costumava bordar no solário, de como cheirava a limões. Teve pena de que aquele belo “passarinho” tivesse que terminar seu caminho em seu estômago. — Desculpe, desculpe, desculpe… — murmurou ele com a boca cheia, sua voz afogada no som borbulhante do sangue. — Mas o Leão ordenou… E a carne é tão quente… Você é tão gostosa… melhor que macarrão… muito melhor… Ele sentiu um desejo fugaz de acariciar a cabeça dela, de acalmá-la, de dizer que tudo acabaria logo. Mas a fome e o instinto de escravo eram mais fortes. Seus dentes continuavam o trabalho, rompendo tendões e abrindo articulações. Jaime Lannister saltou, seu rosto empalideceu. Ele quis gritar que era uma piada, mas as palavras ficaram presas na garganta. O que ele via estava além de qualquer pesadelo. Theon não estava apenas mordendo — ele estava rasgando a carne com os dentes, emitindo sons horríveis e úmidos, como um animal selvagem sobre sua presa. Slurp… Mastigação… Estalo… Sansa sentia a dor ardente espalhar-se pelo corpo. Cada movimento de Theon trazia um novo surto de agonia. Ela sentia os dentes dele se fechando em sua pele, o ar frio tocando as feridas abertas. Sua consciência começou a nublar devido ao choque. — Por favor… — sua voz tornou-se um sussurro rouco. — Theon… nós estávamos… juntos… brincávamos… em Winterfell… — Fedorento-Makarendjoy come… é um banquete, a ordem de Sor Jaime Lannister. Desculpe. — rosnou Theon, com o rosto já completamente coberto de vermelho. — Makarendjoy cumpre a vontade… Ele passou para o pescoço dela. O som de pele e tendões sendo rasgados encheu o salão. Sansa sentia a vida esvair-se dela junto com os fluxos de sangue quente. Quando ele chegou ao peito dela, sentiu a última e espasmódica batida de seu coração. Foi como um animalzinho indefeso que silencia na mandíbula fechada de um predador. Theon parou por um segundo, os “ouriços carecas” em sua testa contraíram-se com compaixão. Ele sentiu uma breve pontada de melancolia, percebendo que ninguém mais olharia para ele com uma compaixão tão pura e humana. “Pena…” passou por sua cabeça enquanto engolia o último pedaço quente de pele. “Agora vou ficar entediado de novo. E não haverá ninguém para fazer elogios absurdos.” Mas essa tristeza logo se dissolveu na sensação de saciedade e dever cumprido. Theon lambeu os dedos, apreciando o gosto metálico. Ele se sentia bem. Pela primeira vez em muito tempo, seu estômago não doía de radiação ou gelo; estava cheio de nobre sangue nortenho. Ele destruiu sua irmã de espírito, e esse sacrifício parecia-lhe o ato supremo de amor e lealdade ao seu novo mestre. Sentado em uma poça de sangue, Theon Makarendjoy, agora um canibal, ganiu baixinho, não de dor, mas de uma mistura estranha de satisfação e melancolia. Ele estava saciado, era obediente, e sentia apenas uma pontinha de pena por aquele “passarinho” não cantar mais. Jaime estava parado, incapaz de se mover. Viu Theon destruir metodicamente, com uma espécie de empenho mecânico, o que fora Lady Sansa. Ossos quebravam com um estalo seco, a carne desaparecia em sua boca ensanguentada. Foi longo. Insuportavelmente longo. Meia hora depois, tudo havia acabado. No chão, entre taças viradas, restavam apenas farrapos de tecido nortenho bordado, encharcados de sangue, e alguns ossos roídos até brilharem. Sansa Stark não existia mais. Havia apenas Theon Makarendjoy, sentado no meio da poça de sangue, respirando pesadamente e limpando a boca com a manga. Nesse momento, as portas se abriram. Ramsay Bolton entrou no salão, assobiando uma melodia alegre. Ele parou, e seu olhar caiu sobre a carnificina no centro da sala. — Mas o que… — Ramsay olhou lentamente para Theon e depois para Jaime, que estava pálido como giz. — Onde está Sansa? Onde está minha noiva, Lannister? Jaime engoliu em seco com dificuldade, sua mão tremia. — Eu… eu só estava brincando… Eu disse para ele comê-la… Eu não pensei… Ramsay Bolton congelou. Seu rosto começou a ficar vermelho de fúria. Ele se aproximou de Theon e o chutou com toda a força no peito, jogando-o contra a parede. — VOCÊ! — rugiu Ramsay. — Seu pedaço de merda! Você comeu minha chave para o Norte! Você comeu meu brinquedo! Ele se voltou para Jaime, e em seus olhos brilhou uma loucura que assustou até o Regicida. — Você deu ordens ao meu cão, Lannister? Você achou que tinha o direito de dar ordens ao Fedorento?! Só eu digo a ele quem rasgar e quem lamber! Você estragou tudo! Ramsay pegou uma faca da mesa e a atirou na parede, perto da cabeça de Jaime. — Saia daqui antes que eu ordene que ele termine o que sobrou da sua família! Seu idiota de cabelos dourados! Você transformou minha estratégia em jantar para esse degenerado! Ramsay estava em fúria não pela morte de Sansa; ele não se importava com a vida dela. O que o irritava era que sua autoridade sobre Theon fora violada e que um instrumento político crucial fora literalmente digerido no estômago de Makarendjoy. Theon estava sentado junto à parede, olhando para suas mãos ensanguentadas. Não sentia culpa. Sentia apenas um peso estranho no estômago. — Eu cumpri a ordem… — sussurrou ele, olhando para o enfurecido Ramsay. — O Leão disse… — O LEÃO NÃO É NINGUÉM AQUI! — gritou Ramsay, agarrando Theon pelos cabelos e batendo sua cabeça contra a pedra. — Você é o Makarendjoy-Canibal! De agora em diante, ficará em uma gaiola na coleira, porque você é uma besta raivosa que não entende piadas! Jaime Lannister, sem dizer uma palavra, saiu apressadamente do salão. Ele sentia náuseas. Percebeu que, no Norte, as piadas terminam onde a loucura de Makarendjoy começa. E Theon, tendo agora consumido o último símbolo de seu passado, deixara definitivamente de ser humano, transformando-se em uma sombra sangrenta que sequer entendia por que o mestre estava tão zangado com um trabalho bem feito.
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