Capítulo 2
25 de janeiro de 2026 19:14
Já no meu quarto, depois de fazer minha refeição, fico pensando em algum plano para conseguir falar com a Abelhinha. Pego meu caderno, que está na mesa perto da cama, e um lápis. Começo a anotar:
Plano A: fingir que estou só passando em frente à escola dela e esbarrar nela de propósito.
Plano B: perguntar aos colegas dela se eles sabem alguma coisa sobre ela.
Plano C: ir até ela e dizer que achei o meião dela legal; talvez perguntar por que ela usa todos os dias.
Plano D: ir até ela e contar toda a verdade.
Eu só vou tentar o D se os outros três derem errado. Fecho o caderno e me deito, mas não paro de pensar nela... e no meião de abelhinhas. Não resisto: pego meu lápis de novo e começo a desenhá-la. Mesmo que os traços fiquem tortos, gosto de olhar para o desenho como se ela estivesse ali.
Tirar uma foto dela? Nem pensar. Isso seria errado. Quero conhecê-la de verdade, do jeito certo.
Antes de dormir, fico repetindo mentalmente os três planos. E se nenhum deles der certo? Bom... acho que vale a pena tentar.
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No dia seguinte, assim que saio da escola, vou correndo para meu lugar. Agora já chamo assim mesmo — “meu lugar”. Parece que aquele ponto da calçada foi feito pra mim, só pra observar a Abelhinha.
Me sento, olho o relógio no meu pulso. Está quase na hora. Respiro fundo, tentando controlar a ansiedade. Já treinei todas as falas possíveis.
O portão da escola dela se abre. Vários adolescentes começam a sair. Me levanto, aperto a alça da mochila e vou na direção da entrada. Avisto o meião por entre as pessoas.
Mas então, do nada, alguns garotos passam na minha frente e esbarram em mim, tampando totalmente a minha visão.
— Com licença! — digo, tentando me livrar deles.
Quando consigo, olho para onde ela estava... mas a Abelhinha já sumiu.
Corro até a rua onde ela costuma ir. Nada. Nem sinal do meião.
Coloco as mãos no bolso e chuto uma pedra do caminho. O plano A deu errado. Mas tem uma coisa que eu não entendo: por que aqueles garotos se jogaram em mim do nada? Aquilo não parecia normal.
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De volta em casa, no quarto, tiro o caderno da mochila e abro na página dos planos — a caneta ainda está lá marcando. Risco o plano A.
Agora é o plano B.
Conversar com os colegas dela. Talvez eles saibam quem é, onde mora, alguma coisa…
As perguntas já estão na ponta da língua:
“Você conhece a Abelhinha?”
“Você sabe onde ela mora?”
“Você sabe algo sobre ela?”
Mas como vou saber quem são os colegas dela?
Ah, claro… os que parecem ter a mesma idade.
Solução resolvida. Agora é só esperar a hora de colocar o plano em prática.
— Abelhinha… será que eu vou finalmente descobrir quem é você? — pergunto pra mim mesmo, mas minha mãe interrompe meus pensamentos chamando pro almoço.
Guardo o caderno, me levanto e vou até a cozinha.